Sara Forestier fala em “puritanismo” nas críticas a Abdellatif Kechiche

(Fotos: Divulgação)

Sara Forestier foi lançada por Kechiche em A Esquiva

A atriz e realizadora Sara Forestier, cujo primeiro filme que marca a sua carreira é A Esquiva de Abdellatif Kechiche, afirmou numa entrevista ao Libération que crê haver muito “puritanismo” nas críticas ao cineasta francês de origem tunisina, responsável por filmes como A Vida de Adèle e Mektoub, My Love:Intermezzo.

Como devemos filmar os rabos? Na diagonal?“, questionou Forrestier em jeito irónico.

Kechiche tem sofrido vários ataques recentemente após a exibição do segundo filme da trilogia Mektoub em Cannes, particularmente pela exploração dos corpos femininos, naquilo que grande parte da imprensa norte-americana defende como o “male gaze“, ou seja, o olhar masculino. Uma cena de sexo oral com 13 minutos está na origem das maiores críticas ao segundo Mektoub, mas a “exploração” dos corpos femininos por parte do cineasta soma críticas desde A Vida de Adèle.

Numa sessão fotográfica para o Liberation, antes da entrevista, Forrestier quis tirar uma foto sem roupa. Porquê? “Por impulso (…) [pelo desejo] de fazer algo diferente do que se espera.“. Forrestier fala ainda na necessidade de “reinventar a nudez” a qual, lamenta, cada vez é apresentada no cinema de forma mais redutora e normalizada. 


A Esquiva

Forte ativista do movimento Maintenant, on agit [espécie de Time’s Up francês], Forestier acha “importante fazer a pergunta do desejo, e recuperá-lo“. Essa frase ao Libération, lembra a publicação, faz lembrar a sua aparição sem maquilhagem no programa de Lea Salamé, Stupéfiant: “Adoro maquilhagem, adoro feminilidade … não tenho problema com isso. Mas tenho um problema em receber ordens para isso”. Nesse mesmo programa, a atriz defendia uma imagem mais “natural” das mulheres nos Media: “Temos uma responsabilidade, no cinema ou nos Media, (…) representamos a imagem da mulher.

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