Críticas ao Festival de Veneza por falta de realizadoras e presença de Roman Polanski

(Fotos: Divulgação)

 Apenas duas mulheres fazem parte do círculo de realizadores candidatos ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Esse número está a suscitar várias críticas nos meios internacionais, especialmente os norte-americanos e britânicos que apontam mais uma vez a esse número muito baixo de cineastas, que no ano passado estava reduzido a um. Alberto Barbara, diretor do certame, relativizou esse número, acrescentando que na secção Horizontes, metade dos títulos são dirigidos por mulheres e que a programação geral apresenta uma série de filmes com personagens femininas no centro das atenções.

Já no ano passado, Veneza foi criticada no ano passado pela Rede Europeia de Audiovisuais da Mulher (EWA Network), por outras associações e até realizadores devido à escassa presença feminina. “É uma aberração“, disse Jacques Audiard sobre a falta de realizadoras no festival quando apresentou Os Irmãos Sisters. Veneza chegou a assinar um compromisso de paridade de género no que toca à equipa da programação, mas nada ficou acordado no que diz respeito a quotas representativas para os filmes exibidos.

Mas a ausência de mulheres na sua seleção oficial não foi a única crítica que o festival recebeu. O facto de um novo filme de Roman Polanski estar em competição levou a duras críticas online, com Melissa Silverstein, autora e fundadora do grupo Mulheres de Hollywood, a escrever no Twitter que Veneza tinha selecionado poucas mulheres e um violador.



A jornalista britânica do Daily Telegraph Anita Singh também mostrou desapontamento nas redes sociais, escrevendo: “Duas mulheres realizadoras em 21 filmes, e o tapete vermelho lançado para Roman Polanski. Ótimo trabalho, Veneza”.

Barbara, que em 2017 defendeu a presença no festival de James Toback, afirmando que “não era juiz, nem advogado, mas diretor de um festival”, falou da escolha de Polanski, dizendo que o seu filme J’Accuse, sobre o famoso caso Dreyfus, mostra o cineasta no seu melhor: “Ele é um dos últimos grandes mestres do cinema europeu e tem mais de 80 anos. Na sua idade, ele é capaz de fazer um filme que é uma extraordinária reconstrução de um evento histórico. “

Os dois filmes “femininos” em competição

Depois da australiana Jennifer Kent ter sido a única mulher na competição ao Leão de Ouro no ano passado, com The Nightingale este ano temos a saudita Haifa Al Mansour e a também australiana Shannon Murphy.

A primeira, conhecida pelo bem sucedido Wadjda e o não tem bem recebido Mary Shelley, leva ao certame The Perfect Candidate, um projeto saudita que conta a história de uma jovem médica com ambições políticas dentro de uma sociedade patriarcal, que assume a tarefa monumental de concorrer a cargos municipais na ausência do pai.

Já Murphy tem a sua estreia nas longas-metragens para cinema com Babyteeth [na imagem acima], uma adaptação de uma peça de teatro de Rita Kalnejais, com Ben Mendelsohn e Essie Davis no elenco, sobre um casal que descobre que a filha adolescente e doente se apaixonou por um traficante de drogas.

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