Na sessão, pelas 22h30, serão apresentadas a retrospetiva Ascensão e Queda do Muro – O Cinema da Alemanha de Leste, e a dedicada à realizadora Jocelyne Saab, que integrarão a edição deste ano do festival.

Jocelyn Saab, 1978
É já no próximo dia 26 de julho que o Doclisboa (17 a 27 de outubro) se apresenta na Cinemateca. Serão exibidos os filmes Paule in Concert (1983), de Lew Hohmann, e Lettre de Beyrouth (1978). O primeiro consta na retrospetiva Ascensão e Queda do Muro – O Cinema da Alemanha de Leste, e o segundo no destaque ao trabalho da falecida jornalista, cineasta e fotógrafa libanesa Jocelyne Saab.
A escolha da retrospetiva Ascensão e Queda do Muro – O Cinema da Alemanha de Leste está ligada aos 30 anos da queda do Muro de Berlim e a sua programação pretende mostrar “a abundância de formas e temas nas produções cinematográficas da Alemanha Oriental, principalmente da DEFA, censuradas ou não“. Várias gerações de cineastas vão estar em destaque, incluindo os nomes de Konrad Wolf, Gerhard Lamprecht, Karl Gass, Winfried Junge, Gerhard Klein, Jürgen Böttcher, Volker Koepp, Iris Gusner, Andreas Voigt, Helke Misselwitz e Thomas Heise.

Em Paule in Concert, “aprendizes berlinenses assistem a um concerto da banda Pankow no seu local de trabalho. As músicas e letras descrevem a vida do operário Paule Panke: levantar de manhã cedo, longas horas de trabalho diário, a espera pelo fim de semana. A equipa filma ainda o seu encontro com sete estagiários de engenharia mecânica, seis homens e uma mulher, que descrevem as suas expectativas face à vida e ao trabalho em geral e as mudanças que esperam na sociedade.“
Já a cineasta libanesa Jocelyne Saab, nascida em 1948, começou a trabalhar como jornalista de televisão pouco antes do início da guerra civil libanesa, em 1975, passando posteriormente para os documentários, filmes de ficção e mais tarde a fotografia.

O seu Lettre de Beyrouth – um dos seus trabalhos em torno da cidade e a guerra, como Beyrouth jamais plus e Beyrouth, Ma Ville o eram– mostra uma cidade ferida e amargurada, mas simultaneamente repleta de vida e energia, onde se toca guitarra nas ruas, assiste-se a concertos, mas também se noticia um continuar das mortes e conflitos. Conhecida por refletir sobre o significado das imagens e como elas são recebidas, Saab regressa ao Líbano três anos após o início da guerra civil (que a maioria refere timidamente como “Os Eventos“), tentando adaptar-se ao novo quotidiano. Os transportes públicos da cidade já não são o que eram, os cinemas continuam com os letreiros a anunciar obras que estrearam antes da guerra, muitos falam nas dificuldades de arranjar trabalho, que a divisão do país se reflete nas universidades, que a segregação chegou a todo o lado (incluindo as cadeias), e que a cidade está dividida para gerar mais estabilidade.
Filma-se também Yasser Arafatm de braço partido e óculos de sol, a gritar pela Palestina e que a vitória (eventualmente) chegará. É um olhar essencialmente jornalístico, transformado em algo mais poético e artistico pela montagem e narração, que dão toda uma dimensão além do tristemente observado pela lente de Saab.

