Famosos mandam duros recados ao governo brasileiro no FESTin

(Fotos: Divulgação)

A 10ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) decorreu entre 15 e 22 de maio

O cinema São Jorge continua a ser um dos palcos privilegiados da capital portuguesa para reunir o descontentamento de artistas e do público na contra o atual governo brasileiro. Depois da vibrante exibição do filme de Petra Costa no âmbito do IndieLisboa há duas semanas (artigo aqui), desta vez foi a sessão de encerramento do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) a obter aplausos do público para as missivas.

Com sala cheia para a antestreia de Sai de Baixo, foi primeiro a atriz Patrícia Pillar, que subiu ao palco com o realizador Eduardo Nunes para receber o Prémio do Público concedido a Unicórnio, obra onde a atriz é coprodutora, a manifestar-se. Depois de agradecer a distinção, a intérprete disparou um comentário ao membro do “ICA brasileiro” presente na sala: “Aproveito que está aqui um representante do Ancine para dizer que não acredito num país que não invista na educação, na cultura e na ciência. Não é esse o país que eu quero!“. A observação tem óbvia ressonância nos últimos acontecimentos no Brasil, onde tem sido anunciados cortes enormes na educação e nas universidades, com grandes protestos nas ruas.

Já Miguel Falabella, que veio a Portugal com Marisa Orth para o lançamento do filme que recria a famosa série televisiva, direcionou a sua apresentação com um comentário sarcástico a uma das icónicas manifestações da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do atual governo, conhecida pelas observações insólitas e altamente polémicas. Pertencente à uma religião conservadora e de forte posicionamento contra a homossexualidade, Damares Alves estabeleceu uma curiosa argumentação para sustentar a teoria de que a protagonista de Frozen, animação da Disney, “é lésbica“. Comentário do ator: “Queria dizer à nossa ministra que Elsa não é lésbica. Eu a conheço. Mas se fosse eu ia gostar dela mais ainda!“, exclamou sobre risos e aplausos.

Uma nota ainda para o cineasta Aly Muritiba, cujo Ferrugem obteve três prémios no FESTin. Agradecendo através de um video, encerrou com um enfático “Fora Bolsonaro, fora fascismo!” – sob ovação geral.

O filme Todas as Canções de Amor, da realizadora Joana Mariani, foi o grande vencedor desta 10ª edição do FESTin. O júri atribui o prémio de Melhor Realizador a Muritiba, Melhor Ator para Daniel Oliveira (Aos teus Olhos) e Melhor Atriz para Tifanny Dopke (Ferrugem).

O trabalho de Muritiba conquistou também o Júri da Crítica, que atribuiu ainda a Menção Honrosa a Boni Bonita, de Daniel Barosa.

As demais distinções atribuídas foram:

  • Melhor Documentário: “Lusófonas”, de Carolina Paiva
  • Menção Honrosa para Documentário: “Início do Fim”, de Francisco Júnior Gonçalves
  • Melhor Documentário Júri Popular: “O Pequeno Escritor”, de Júlio Silva
  • Melhor Curta-Metragem: “Viagem de Icaro”, de Kaco Olimpio e Larissa Fernandes
  • Menção Honrosa de Curta-Metragem: “Grito”, de Luiz Cassol
  • Melhor Curta-Metragem Júri Popular: “Mambo” de Nuno Barreto
  • Prémio Festinha para Melhor Filme Infantil: “A Zeropeia”, de Rodrigo Guimarães

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