Alain Delon e a polémica sobre a sua Palma de Ouro: “Nunca assediei uma mulher”

(Fotos: Divulgação)

Depois de entregar a Palma de Ouro Honorária a Jeanne Moreau, Woody Allen, Bernardo Bertolucci, Jane Fonda, Clint Eastwood, Jean-Paul Belmondo, Manoel de Oliveira, Agnès Varda e Jean-Pierre Léaud, o Festival de Cannes vai homenagear hoje Alain Delon.

A escolha do ator, conhecido por filmes como O Ofício de Matar (1967)A Piscina (1969) e O Círculo Vermelho (1970), não caiu bem em alguns grupos, como a associação Women in Hollywood, que acusa o ator de ser “racista, homofóbico e misógino“. Alegadamente, e em causa, estão declarações feitas pelo ator no passado. Uma petição, em que se pedia ao Festival de Cannes para “não o honrar”, foi mesmo criada pela associação, recolhendo 25 mil assinaturas.

Cannes não voltou atrás na homenagem e Thierry Frémeaux denunciou a existência de uma “polícia política” por trás dos protestos, defendendo ainda que o ator “tem o direito de pensar o que quer”.  O diretor geral do festival disse ainda que Cannes não estava a dar-lhe “o Prémio Nobel da Paz” e acrescentou que é extremamente complicado avaliar hoje em dia as coisas que aconteceram e se disseram no passado.

Atualmente com 83 anos, Delon também comentou algumas das acusações que lhe são dirigidas, definindo que muitas delas baseiam-se em “fabricações e invenções” sobre si. Sobre os temas quentes de que é acusado, Delon disse: “Não sou contra o casamento gay, estou-me a borrifar para isso: as pessoas fazem o que querem. Mas sou contra a adoção por parte de duas pessoas do mesmo sexo … Eu disse que bati numa mulher? Sim. E deveria ter acrescentado que recebi mais estaladas do que as que dei. Na minha vida, nunca assediei uma mulher“.

Resultado de imagem para delon c7nema

Sobre a colocação da sua figura à direita política, Delon nega, adicionando que colaram-lhe esse rótulo porque “foi amigo do (Jean-Marie) Le Pen desde os tempos do exército“.

Recorde-se que apesar de estar há muito afastado do cinema, o ator foi visto nos últimos anos no teatro com a sua filha Anouchka. Quanto a arrependimentos, tem um: “Há uma coisa que deixei escapar e que vai sempre me assombrar: gostaria de ter sido dirigido por uma mulher antes de morrer.

Últimas