
Considerado uma das mais ousadas montras para o cinema independente dos EUA, com um aporte de produções internacionais, o Festival de Tribeca, em Nova York, chega ao fim neste domingo, mas adotou um retrato das inquietações sociais afroamericanas como seu eleito aos prémios que sinalizam renovação.
Segundo o júri oficial de ficção, o principal vencedor de láureas do evento nova-iorquino foi o drama Burning Cane, um painel do cotidiano da Louisiana construído a partir de diferentes relações afetivas fraturadas. Inspirado pela estética transcendentalista de Terrence Malick (de “A árvore da vida”), a longa-metragem realizada por Phillip Youmans ganhou, na seleção de ficção, nas categorias de Melhor Filme, Fotografia e Ator, dado a Wendell Pierce pelo seu desempenho como um pastor evangélico abalado pela viuvez. Um dos maiores destaques da competição em 2019, Swallow, de Carlo Mirabella-Davis, rendeu a Haley Bennett o prémio de Melhor Atriz.

O Melhor Filme de Língua Não Inglesa veio da Coreia do Sul: House of Hummingbird, da cineasta Bora Kim. A trama aborda o desabrochar afetivo de uma estudante. Já o melhor documentário veio da Escócia: Scheme Birds, de Ellen Fiske e Ellinor Hallin, sobre o dia a dia de uma jovem numa família disfuncional.
Vai ter cinema pop no desfecho do festival. Dez anos depois de ter conquistado o Oscar por Quem quer ser milionário? (o hoje pouco lembrado Slumdog millionaire), o cineasta inglês Danny Boyle tem em mãos o que pode ser o maior sucesso da sua carreia numa década: Yesterday, escolhido para encerrar a programação do Festival de Tribeca neste sábado, em Nova York. Domingo são anunciados os vencedores do júri popular, mas a expetativa maior é pelo regresso de Boyle à ribalta, com uma trama padrão what if… (o que aconteceria se…) acerca dos Beatles.

Na trama escrita por Richard Curtis, o músico Malik (Himesh Patel), um compositor fracassado do litoral britânico, passa por um turbilhão cósmico sem saber: no meio de um blackout, os seus ídolos, os Quatro Rapazes de Liverpool, são apagados da existência. Mas ele continua a se lembrar do quarteto e dos seus hits. Ao arriscar um Let it be em público, ele passa a ser encarado como o autor responsável pelos marcos da Beatlemania e ganha fama e dinheiro por canções que atravessaram gerações da década de 60 do século XX para cá. Mas o êxito ameaça o seu namoro com a professora Ellie Lily James. Após a projeção em Tribeca, a longa-metragem de Boyle vai ser lançada em junho.
No calendário dos grandes festivais, Cannes é o próximo da fila, de 14 a 25 de maio, com Jim Jarmusch e o seu The dead don’t die como filme de abertura. Terminado o cardápio autoral da Croisette, começa o Festival da Transilvânia, que vai de 31 de maio a 9 de junho. Nele, serão exibidos Gloria Bell, de Sebastián Lelio; Bra, de Veit Helmer; Notti magiche, de Paolo Virzi; e o vencedor do Urso de Ouro de Berlim deste ano, Synonymes, de Nadav Lapid. Além disso, o francês Michel Gondry, de O Despertar da Mente (2004), vai ser homenageado pelo conjunto da sua obra. Já Bernardo Bertolucci (1941-2018) vai ter uma homenagem póstuma com uma projeção de O conformista (1970).

