O “hype” do universo independente: arranca hoje (02/05) o IndieLisboa

(Fotos: Divulgação)

O festival de cinema de maior “hype” de Lisboa estende-se entre 2 e 12 de maio tem como principais a Culturgest, a Cinemateca Portuguesa e os cinemas São Jorge e Ideal. O C7nema conversou com um dos diretores do festival, Carlos Ramos, a propósito de alguns conceitos e novidades da 16ª edição do IndieLisboa.

A estrela será Anna Karina, musa de sete filmes de Jean-Luc Godard nos anos 60 e uma prolífica carreira como atriz e realizadora. “É o nosso trabalho com relação à memória, a história do cinema. Quisemos prestar uma homenagem a ela e ao cinema“, sublinha. A atriz estará durante cinco dias em Portugal numa parceria do festival com a Cinemateca.

A abertura dá-se com The Beach Bum, antestreia portuguesa do novo trabalho de Harmony Korine, oito anos depois das controvérsias de Spring Breakers. Matthew McConaughey é a estrela, vivendo um hedonista que simplesmente se recusa a fazer o que comumente se chama de “amadurecer“.

O encerramento fica por conta do grande vencedor do Urso de Ouro na última edição do Festival de Berlim, Synonymes, onde o alter-ego de um revoltado Nadav Lapid tratou de fugir para Paris do seu odiado Israel e encontrar todos os sinónimos de palavras ruins para definir a sua ex-pátria.

Da vasta programação de cinema português, um dos destaques é Hotel Império, drama onde Ivo M. Ferreira, depois do sucesso indie de Cartas da Guerra, filma a Macau onde vive há vários anos. Margarida Vila-Nova é a protagonista.

Entre a procura pelos novos formatos, uma das apostas fortes é o cinema ligado a novas tecnologias – algo que marca obras da Competição como Ne Travaille pas (1968-2018) e o seu mantra musical eletrónico emoldurando uma longa colagem, o chinês Present.Perfect e o fenómeno social do streaming e Jessica Forever – este último pertencente à dupla de cineastas franceses homenageados na seção Herói Independente, Jonathan Vinel e Caroline Poggi – obra que tem causado arídas dificuldades a quem tenta defini-la.

O Brasil em Transe

Formatos como o docudrama, eventualmente o preferido do certame ao longo dos anos, mostra que a ideia de uma ficção mais próxima do real também é uma grande aposta do cinema brasileiro – o outro “herói independente” deste ano – sobre a rubrica Brasil em Transe.

Com um resultado eleitoral que continua a chocar o mundo, a escolha não poderia deixar de ser política – opção confirmada ao C7nema por um dos diretores do festival, Carlos Ramos. “Obviamente tem a ver com a questão da eleição de Jair Bolsonaro. Pensamos em mostrar toda uma cinematografia que corre o risco de perder-se. Com o bloqueio das verbas do Ancine, por exemplo, muitos destes cineastas podem deixar de fazer filmes“.

Ao mesmo tempo, não se trata apenas de uma leitura de uma realidade sombria. “Procuramos filmes que debatessem os vários exiso políticos, de género, raciais, criar um corpo que fosse um olhar de alerta, de homenagem e até de esperança. É neste sentido que também se enquadra o “Lisbon Talks”, um debate que ocorre no penúltimo dia do festival e reúne vários realizadores“.

Assim, obras como Os Jovens Baumann fazem um ensaio sobre supostas fitas VHS de 1992 que documentam o desaparecimento dos jovens mencionados no título, ou No Coração do Mundo, um retrato quase em forma de mosaico da classe média baixa brasileira – eventualmente num registo semelhante ao de Temporada, presenta na Competição. A unir a política à uma perspetiva pessoal, Petra Costa, do consagrado Elena, propõe um dos registos mais aguardados, Democracia em Vertigem, que agradou em Sundance e recebeu capitas da Netflix para a produção.


A Noite Amarela

O documental estende-se por toda a programação – servindo tanto a temáticas LGBTs (So Pretty, Fabiana) como aos retratos do IndieMusic, que incluem Miles Davis e os Swans. Nesta seção surge, no entanto, outras propostas: August at Akiko’s é uma meditação com pouca música de Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches) e Leto é uma ficção – e uma antestreia portuguesa tardia de um dos mais celebrados filmes do Festival de Cannes de 2017 – biografia de dois misteriosos “rockstars” russos de desaparecimento precoce.

No mundo da Boca do Inferno, o brasileiro A Noite Amarela debruça-se sobre o tópico dos loops e das viagens no tempo, enquanto Seder Masochism é uma surpreendente animação musical que recria momentos do Antigo Testamento sob o viés feminista.

A programação completa pode ser encontrada aqui.

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