Um primeiro olhar sobre a programação do FEST: Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho

(Fotos: Divulgação)

Aproxima-se o início do FEST: Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho, evento que vai ocorrer na cidade nortenha de 1 a 8 de julho. Este festival, que é acompanhado paralelamente pelo Training Ground, evento de formação, já anunciou as obras a concurso, sendo a destacar as presentes em competição ao Castelo de Prata. Mas vamos por partes.

Longas Metragens de ficção


Nesta secção encontram-se obras dos mais diversos estilos e que têm feito algum furor em certames internacionais, quer sejam mais orientados ao cinema independente de teor mais dramático, quer obras de género, com destaque para alguns filmes a tocar no terror.
 
 
Volcano

Para começar é inevitável salientar «Volcano», um drama islandês que teve a sua estreia no Festival de Cannes, passou pelos Festivais de Karlovy Vary, Londres, São Paulo e Glasgow, entre outros. Na obra seguimos a relação entre dois idosos, com destaque para um homem que após a reforma começa a encarar a sua posição no mundo. Após uma doença da esposa, tudo se altera na vida deste homem que terá de provar que é capaz de viver com a sua nova realidade.

Outro dos grandes filmes em exibição é «About the Pink Sky», de Keiichi Kobayashi, obra que venceu o prémio de Melhor Filme no prestigiado Festival Internacional de Tóquio depois de uma série de aclamadas presenças em Sundance, Roterdão e Hong Kong

«Among Us» de Marco van Geffen é outra das obras a destacar, isto depois de presenças em festivais como Locarno e Toronto. Também da Holanda (em parceria com a Bélgica) vem o curioso «170 Hz», um romance coming of age assinado por Joost van Ginkel e que tem como curiosidade o facto de ter como personagens principais dois atores que usam linguagem gestual. 
 
 
«7sex7» 

Ainda da Europa chegam «Paradis Perdu», de Ève Deboise e «7sex7», uma espécie de «Decameron» croata assinado por Irena Skoric, uma velha conhecida do FEST

Passando para os EUA, realce para «Whirlpool», filme de Alvin Case que passou pelo Festival de Roterdão e «The Victim», um  filme que marcou a estreia de Michael Biehn na realização. Para quem não se lembra, Biehn foi o protagonista de «Exterminador Implacável», clássico de James Cameron. Finalmente, e ainda dos EUA, uma nota para «The Dynamiter», filme assinado por Matthew Gordon (que vai marcar presença no certame) que esteve nomeado ao Prémio John Cassavetes nos Independent Spirit Awards (para além de ter vencido no Festival de Deuville o Grande Prémio do Júri).

No que diz respeito à Austrália, esta não ficou esquecida do certame, tendo sido selecionado o filme de terror found footage «The Tunnel», uma obra que foi financiada através da Internet tendo como pressuposto o facto de no fim o filme ser distribuído via Torrentz.


Os Documentários

Na competição nesta secção estão apenas cinco filmes que nos vão levar em viagens tão distantes como a Bolivia, a Alemanha, a India e os EUA. O primeiro realce vai para «Blue Meridian», documentário muito peculiar assinado pela belga Sofie Benoot. Esta obra é uma viagem pelo Mississipi e à américa profunda nunca explorando os entrevistados que vão mostrando ou falando da sua vida sempre com a objectiva distante da cineasta, como que enquadrando-os em algo muito maior e que fazem o espírito da região. Curiosamente as opções da cineasta levam-na a fugir sempre dos close ups, preferindo enquadrar pessoas na sua geografia, na ruralidade, criando verdadeiros quadros móveis e repletos de musica local. 

Viajando mais para sul vamos até à Bolivia, mais propriamente a uma pequena aldeia junto à maior reserva de lítio do mundo. Mas não é aqui que começamos. Na verdade somos introduzidos à importância do lítio no que diz respeito a formas energéticas de futuro numa montra de automóveis eléctricos. Que impacto terá uma região remota e as suas gentes ao começar uma verdadeira corrida aos seus recursos? Este é o principio de «The White Treasure and the Salt Workers from Caquena», um trabalho assinado pela alemã Eva Katharina Bühler. Esta questão também é abordada, num âmbito mais alargado em «Into the Blue», filme do catalão Pere Herms Clapers que inicia uma viagem em estilo de diário entre a Bolivia, o Peru e o Equador. O homem e a sua relação com a natureza e os efeitos da globalização.
 
 
«The White Treasure and the Salt Workers from Caquena» 

Seguindo para a Europa temos «Anna Pavlova Lebt in Berlin»uma espécie de antítese dos trabalhos que foram apresentados. Aqui seguimos a história de uma festa continua de Anna Pavlova, filha de aristocratas russos num verdadeiro fim de semana de 7 dias.

Este é um filme caótico em que o espectador se perde como a protagonista sem nunca cair numa esfera do moralmente condenar (ainda que n favoreça) o seu estilo de vida.

Finalmente, o quinto filme, «Mr Edhi Kingdom», visita outra paisagem urbana diferente. Vamos ao Paquistão e acompanhamos Abdul Sattar Edhi e a sua mulher, duas pessoas  que montaram um verdadeiro sistema de apoio social em Karachi, longe de ajudas do governo ou externas. Eles são o verdadeiro «estado social», algo que está ameaçado da extinção na Europa mas que no Paquistão se sonha.

Outros realces


Para além de inúmeras curtas metragens que merecem a atenção, há um trio de filmes que merece uma atenção especial e todos estão na secção Fest Sound. Dois dos filmes já passaram pelo IndieLisboa: «Punk in Africa» e «Andrew Bird: Fever Year». Já o terceiro é «Bertsolari», um filme único que teve a sua estreia em San Sebastian.
 
«Bertsolari» segue uma tradição oral no país basco de improvisar versos cantados em euskara. O curioso é ver como a tradição se adaptou de geração em geração, reunindo no final do último campeonato 14 mil pessoas. Uma viagem poética visualmente poderosa…

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