Yellow Letters (Gelbe Briefe), de İlker Çatak, que explora as pressões políticas sobre um casal de artistas depois de perderem os seus empregos devido a perseguições estatais, conquistou o Urso de Ouro da Berlinale, sendo consagrado como o melhor filme do festival.
“Quero fazer cinema político porque vejo um mundo que precisa de consciência política“, disse Çatak ao C7nema na Berlinale, onde há dois anos deu nas vistas com A Sala dos Professores. “Estamos constantemente distraídos, a consumir vídeos gerados por inteligência artificial, a fazer “doomscrolling”. Isso não é saudável.”
Foi, diga-se de passagem, um ano excecional para o cinema de raízes turcas, extremamente político, com o Grande Prémio do Júri a ser atribuído a Salvation, de Emin Alper, um thriller intenso — inspirado num caso real — situado numa aldeia montanhosa onde o regresso de um clã exilado reacende um antigo conflito de terras. “Gosto que estejam a comparar os acontecimentos do meu filme à situação em Gaza e até aos ataques da ICE nos EUA. Essa era a minha intenção, e fico contente por isso ter sido percebido”, disse Emin Alper ao C7nema na Berlinale. “Desde que comecei a produção, o filme tornou-se cada vez mais atual, porque quando o escrevi ainda não existia a intensidade da guerra entre Israel e a Palestina que vemos hoje.”
Duplamente premiado foi Queen at Sea, de Lance Hammer, que arrecadou o Prémio do Júri e o de Melhor Interpretação Secundária para Anna Calder-Marshall e Tom Courtenay. O filme acompanha uma mulher de meia-idade (Juliette Binoche) que, ao descobrir que a mãe, a sofrer de demência, tem mantido relações sexuais com o padrasto, confronta a delicada questão do consentimento. “Comecei a reparar em muitas histórias sobre demência — notícias, relatos de amigos do meu pai, que tem a idade de Tom Courtenay. Li casos sobre o dilema moral do consentimento quando um dos parceiros sofre de demência. Fiquei desconfortável porque não tinha uma posição clara. Senti vergonha dessa incerteza. E pensei: talvez seja precisamente por isso que devia fazer um filme sobre isto”, explicou Hammer ao C7nema, em Berlim.

Sandra Hüller conquistou o prémio de Melhor Interpretação Principal pelo seu desempenho em Rose, drama ambientado no século XVII na antiga Prússia, centrado numa mulher que se faz por um homem para sobreviver e integrar-se numa comunidade isolada.
O prémio de Melhor Realizador foi atribuído a Grant Gee por Everybody Digs Bill Evans, uma imersão poética na vida do lendário pianista de jazz, enquanto o de melhor argumento coube a Geneviève Dulude-De Celles, por Nina Roza.
Entre os documentários, Yo (Love is a Rebellious Bird), de Anna Fitch e Banker White, recebeu o Urso de Prata para Contribuição Artística Excecional: o filme cruza reconstruções artísticas através de marionetas com memória para celebrar a amizade entre Fitch e a sua amiga falecida Yo.
Outras distinções relevantes foram atribuídas a Chronicles From the Siege, vencedor do Melhor Primeiro Filme na secção Perspectives, e a If Pigeons Turned to Gold, distinguido como Melhor Documentário. Na competição de curtas-metragens, Someday a Child recebeu o Urso de Ouro para Melhor Curta.
Aqui ficam todos os vencedores da Berlinale.
COMPETIÇÃO OFICIAL
Urso de Prata – Grande Prémio do Júri: Salvation, de Emin Alper
Urso de Prata – Prémio do Júri: Queen at Sea, de Lance Hammer
Urso de Prata – Melhor Realização: Everybody Digs Bill Evans, de Grant Gee
Urso de Prata – Melhor Interpretação Principal: Rose, Sandra Hüller
Urso de Prata – Melhor Interpretação Secundária: Queen at Sea, Anna Calder-Marshall e Tom Courtenay
Urso de Prata – Melhor Argumento: Nina Roza, de Geneviève Dulude-De Celles
Urso de Prata – Contribuição Artística Excecional: Yo (Love is a Rebellious Bird), de Anna Fitch e Banker White
PERSPECTIVES
Prémio GWFF para Melhor Primeira Longa-Metragem: Chronicles From the Siege, de Abdallah Alkhatib
Menção Especial (Coup de Coeur): Forest High, de Manon Coubia
PRÉMIO DOCUMENTÁRIO DA BERLINALE
Melhor Documentário: If Pigeons Turned to Gold, de Pepa Lubojacki
Menções Especiais:
Tutu, de Sam Pollard
Sometimes I Imagine Them All at a Party, de Daniela Magnani Hüller
COMPETIÇÃO DE CURTAS-METRAGENS
Urso de Ouro – Melhor Curta-Metragem: Someday a Child, de Marie-Rose Osta
Urso de Prata – Melhor Curta-Metragem: A Woman’s Place is Everywhere, de Fanny Texier
Prémio Berlinale Shorts para Realizador: Kleptomania, de Jingkai Qu
PANORAMA – PRÉMIOS DO PÚBLICO
Ficção
Vencedor: Prosecution, de Faraz Sharia
2.º lugar: Four Minus Three, de Adrian Goiginger
3.º lugar: Mouse, de Kelly O’Sullivan e Alex Thompson
Documentário
Vencedor: Traces, de Alisa Kovalenko e Marysia Nikitiuk
2.º lugar: The Other Side of the Sun, de Tawfik Sabouni
3.º lugar: Bucks Harbor, de Pete Muller
GENERATION
Júri Internacional
Grande Prémio – Generation Kplus: Gugu’s World, de Allan Deberton
Menção Especial: Atlas of the Universe, de Paul Negoescu
Prémio Especial – Curta Kplus: Spi, de Navroz Shaban
Menção Especial: Under the Wave off Little Dragon, de Luo Jian
Grande Prémio – Generation 14plus: Sad Girlz, de Fernanda Tovar
Menção Especial: Matapanki, de Diego Mapache Fuentes
Prémio Especial – Curta 14plus: The Thread, de Fenn O’Meally
Menção Especial: Memories of a Window, de Mehraneh Salimian e Amin Pakparvar
Júri Jovem
Crystal Bear – Melhor Filme Kplus: Gugu’s World, de Allan Deberton
Menção Especial: Not a Hero, de Rima Das
Crystal Bear – Melhor Curta Kplus: Whale 52 – Suite for Man, Boy, and Whale, de Daniel Neiden
Menção Especial: Under the Wave off Little Dragon, de Luo Jian
Crystal Bear – Melhor Filme 14plus: Sad Girlz, de Fernanda Tovar
Menção Especial: A Family, de Mees Peijnenburg
Crystal Bear – Melhor Curta 14plus: Memories of a Window, de Mehraneh Salimian e Amin Pakparvar
Menção Especial: Nobody Knows the World, de Roddy Dextre
TEDDY AWARDS
Melhor Longa-Metragem: Ivan & Hadoum, de Ian de la Rosa
Melhor Documentário: Barbara Forever, de Brydie O’Connor
Melhor Curta-Metragem: Taxi Moto, de Gaël Kamilindi
Prémio do Júri: Trial of Hein, de Kai Stänicke
Prémio Especial: Céline Sciamma
FIPRESCI
Competição: Soumsoum, the Night of the Stars, de Mahamat-Saleh Haroun
Perspectives: Animol, de Ashley Walters
Panorama: Narciso, de Marcelo Martinessi
Forum: AnyMart, de Yusuke Iwasaki
JÚRI ECUMÉNICO
Competição: Flies, de Fernando Eimbcke
Panorama: Bucks Harbor, de Pete Muller
Forum: River Dreams, de Kristina Mikhailova
OUTROS PRÉMIOS
Label Europa Cinemas: Four Minus Three, de Adrian Goiginger
Prémio da Guilda dos Cinemas Alemães de Arte: Yellow Letters, de İlker Çatak
Menção Especial: The Loneliest Man in Town, de Tizza Covi e Rainer Frimmel
Prémio dos Leitores do Berliner Morgenpost: Flies, de Fernando Eimbcke
Prémio dos Leitores do Tagesspiegel: I Built a Rocket Imagining Your Arrival, de Janaína Marques
Prémio Caligari: If Pigeons Turned to Gold, de Pepa Lubojacki
Prémio da Paz: Tutu, de Sam Pollard
Prémio da Amnistia Internacional: What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos
Prémio Heiner Carow: Prosecution, de Faraz Shariat
Prémio AG KINO – GILDE – Cinema Vision 14plus: What Will I Become?, de Lexie Bean e Logan Rozos
Menção Especial: Sunny Dancer, de George Jaques
Prémio C.I.C.A.E. Art Cinema:
Prosecution, de Faraz Shariat
On Our Own, de Tudor Cristian Jurgiu


