Ao fim de uma maratona de 14 dias de projeções e debates, com 417 filmes de 82 países no cardápio, a 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo encerrou as atividades na noite de quarta-feira, na Cinemateca Brasileira, com a entrega da láurea honorária Leon Cakoff ao cineasta Francis Ford Coppola, que foi ao evento exibir “Megalopolis”, em ação organizada pela O2 Play.
Antes da produção de 120 milhões ser exibida, o júri oficial (formado pela atriz Camila Pitanga; pelo ator e cineasta Gonçalo Waddington; pela curadora e produtora Hebe Tabachnik; pelo produtor Kyle Stroud; pelo diretor e escritor Mohsen Makhmalbaf; e pelo crítico Thierry Meranger) concederam uma láurea ex aequo de Melhor Ficção a “Familiar Touch”, de Sarah Friedland (EUA), e “Hanami”, da portuguesa de origem cabo-verdiana Denise Fernandes.
Na premiação do Melhor Documentário, o grupo contemplou o palestino “No Other Land”, de Basel Adra, Rachel Szor, Hamdan Ballal e Yuval Abraham, e “Sinfonia da Sobrevivência”, de Michel Coeli (Brasil). Concederam ainda um prémio de Melhor Realização para o australiano Adam Elliot, pela animação “Memórias de um Caracol” (“Memoir of a Snail”).
Historicamente, nas suas quase cinco décadas de existência, a Mostra de São Paulo ressalta a força do seu júri popular, cuja premiação sempre alavancou a visibilidade de produções independentes nos ecrãs sul-americanos. Em votações ao fim das sessões, a plateia do festival consagrou com o Prémio do Público duas produções estrangeiras: um thriller da Jordânia estrelado por Omar Sy, “The Strangers’ Case”, rodado por Brandt Andersen (laureado pela Amnistia Internacional na Berlinale), e o documentário íbero-dinamarquês “Balomania”, de Sissel Morell Dargis. Entre os brasileiros, os eleitos foram “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “3 Obás de Xangô”, de Sérgio Machado.
Duas láureas são concedidas pela imprensa especializada que cobre a Mostra. Um deles, o Prémio da Crítica, contemplou “Manas”, de Marianna Brennand, como melhor filme brasileira, e “Caught By The Tides”, do chinês Jia Zhangke, como melhor longa metragem estrangeira. A outra láurea é o Prémio Abraccine, votado pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que foi conferido a “Intervenção”, de Gustavo Ribeiro.
Na sua segunda edição, o Prémio Netflix, que apoia produções sem contrato com serviço de streaming, foi para o frenético thriller “Serra das Almas”, de Lírio Ferreira. Já o Prémio Paradiso, de apoio à distribuição, ficou com “Malu”, do diretor Pedro Freire, que chega ao circuito brasileiro nesta quinta-feira. De raízes lusas, o já citado “Hanami” voltou a ser agraciado com mimos na ceriónia de encerramento da Mostra. Recebeu o Prémio Brada de Melhor Direção de Arte.

