“Tardes de Soledad” conquista a Concha de Ouro. Laura Carreira vence Melhor Realização

(Fotos: Divulgação)

Cheia de contos sobre a finitude e a dor do luto, a competição oficial do 72.º Festival de San Sebastián confiou a sua Concha de Ouro ao ensaio documental “Tardes de Soledad“, de Albert Serra, que regista a tradição das touradas. Serra desconstrói o machismo e a violência contra os animais ao acompanhar o cotidiano de um toureiro peruano Andrés Roca Rey.
Cada arena de touros é um mundo e eu tentei investigá-lo sem um olhar que romantizasse aquela prática“, disse Serra ao C7nema.

O júri foi presidido pela realizadora basca Jaione Camborda, agraciada com a Concha de 2023 por “O Corno do Centeio“. A sua equipa de juradas/os reuniu a jornalista e escritora argentina Leila Guerriero, o ator e realizador americano Fran Kranz, a produtora francesa Carole Scotta e os cineastas Christos Nikou (da Grécia) e Ulrich Seidl (da Áustria).

Laura Carreira

Em conjunto, esse grupo dedicou um prêmio especial para o elenco de atrizes e atores do drama “The Last Showgirl“, de Gia Coppola, que contempla Pamela Anderson, Jamie Lee Curtis, Dave Bautista e mais uma multidão de talentos. É uma trama sobre a reinvenção de uma dançarina de Las Vegas (vivida por Pamela) quando o espetáculo em que há anos trabalha chega ao fim.

Ao deliberar sobre a Melhor Realização, o grupo optou por um empate. Primeiro foi mencionado o nome de Laura Carreira, de Portugal, por “On Falling“, sobre a imigração de mão-de-obra lusa para o Reino Unido. O segundo nome a ser chamado foi o do espanhol Pedro Martín-Calero pelo filme de fantasmas “El Llanto“.

Na entrega das láureas de interpretação, Jaione e a sua equipa ratificaram a força dramática de Patricia López Arnaiz em “Los Destellos“. Ela mexeu com os corações espanhóis ao viver uma mulher que lida com a doença terminal do ex-marido.
Agraciado com a Concha dourado de 2012, por “Dans La Maison“, François Ozon vai receber em Paris o galardão de Melhor Argumento por “Quand Vient L’Automne“, no qual uma prostituta reformada lida com uma acusação injusta da filha. O filme venceu ainda na categoria Melhor Secundário, que coroou Pierre Lottin no papel de um ex-presidiário que ajuda a personagem central. Vinda da China, a história de amor em tons de thriller “Bound in Heaven” arrebatou o troféu de melhor fotografia.

Dedicado a produções vindas das Américas, o troféu Horizontes Latinos deste ano ficou com a Argentina por “El Jockey“, de Luis Ortega, antes indicado ao Leão de Ouro de Veneza. Esse resultado endossou o engajamento de San Sebastián numa luta contra a demolição cultural promovida pelo governo Javier Milei.

Após a premiação, San Sebastián assistiu ao drama romântico “We Live In Time“, de John Crowley, com Florence Pugh e Andrew Garfield.

Lista de prémios

Concha de Ouro: “Tardes de Soledad”, de Albert Serra

Prémio Especial do Júri: para as atrizes e os atores de “The Last Showgirl”

Realização: Laura Carrera (“On Falling”) e Pedro Martín-Calero (“El Llanto”)

Interpretação (protagonista): Patricia López Arnaiz (“Los Destellos”)

Interpretação (Secundário): Pierre Lottin (“Quand Vient L’Automne”)

Argumento: François Ozon e Philippe Piazzo por “Quand Vient L’Automne”

Fotografia: Songri Piao, por “Bound In Heaven”

Prémio Horizontes Latinos: “El Jockey”, de Luis Ortega (Argentina)

Prêmio New Directors: “Bagger Drama”, de Pier Baumgartner (Suíça) com menção especial para “La Guitarra Flamenca de Yerai Cortés”, de Antón Álvarez

Prémio Nest de Curtas: El reinado de Antoine”, de José Luis Jiménez Gómez (República Dominicana)

Prémio Culinary Cinema: “Mugaritz. Sin Pan Ni Postre”, de Paco Plaza (Espanha)

Prémio Zabaltegi-Tabakalera: “April”, de Dea Kulumbegashvili (Geórgia), com menção especial para “Monólogo Colectivo”, de Jessica Sarah Rinland

Júri Popular: “En Fanfare”, de Emmanuel Courcol (França)

Prémio do Público Cidade de Donostia de Melhor Filme Europeu: “The Seed of the Sacred Fig”, de Mohammad Rasoulof (Alemanha/ Irão)

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