Varilux, a festa brasileira do cinema francês, volta com Balzac e Belmondo

(Fotos: Divulgação)

Ímã de elogios em sua passagem por Veneza e por San Sebastián, “Ilusões Perdidas”, imersão de Xavier Giannoli na prosa de Honoré de Balzac (1799–1850), já está assegurado na edição nº 12 do Festival Varilux, a maior festa do cinema francês no Brasil, que já assegurou uma data para si. A programação vai de 25 de novembro a 8 de dezembro, em formato presencial, em salas de cinema de múltiplos estados brasileiros, com produções inéditas. Também já estão confirmadas sessões da animação “La Traversée”, de Florence Miailhe, e a comédia “Adeus, Idiotas” (“Adieu les cons”), de Albert Dupontel, que fez a festa na última edição do troféu César, conquistando os prémios de melhor filme e direção. Embora a direção do evento ainda não tenha confirmado, cogitam-se projeções de “Presque”, de Bernard Campan; de “Les Olympiades”, de Jacques Audiard; e de “Tout s’est bien passé”, de François Ozon. Mas essa trinca de títulos ainda está sob a névoa da especulação. O que já é certo é a homenagem que a sua codiretora e cocuradora, Emmanuelle Boudier, prepara para realçar a relevância histórica do ator Jean-Paul Belmondo (1933-2021), falecido no dia 6 de setembro.  

Na entrevista a seguir, Emmanuelle compartilha como C7 um balanço do que o Varilux edificou na América do Sul.

O que Jean-Paul Belmondo representa de mais icónico para a cultura francesa e que lacuna a morte dele deixa?

Rei da malandragem e da treta, Belmondo representa uma personagem audaciosa e irreverente, que não tem medo de nada. No cómico ou no dramático, como policial ou como bandido, ele demonstrava uma habilidade única de encarnar filmes em registos e tons muito diferentes. Ele era muito popular e todos os franceses nascidos entre 1950 e 1980 cresceram com ele.

Que temáticas vamos encontrar na seleção 2021 do Varilux e o que um filme aclamado como “Ilusões Perdidas”, de Xavier Giannoli, traz de mais significativo para o evento?


Como sempre, o cinema francês aborda, de diferentes maneiras, as temáticas do momento na sociedade. Esse ano não tem uma temática predominante. “Illusions Perdues” (“Ilusões Perdidas”) atrai o espectador no turbilhão vertiginoso da Paris do século 19. É uma sátira borbulhante da natureza humana, entre a mediocridade e a baixeza. Mas o filme é também uma crítica particularmente bem-sucedida – e muito atual – dos média, que ecoa com o que acontece agora nas redes sociais. Balzac segue de atualidade.

Qual foi a experiência que vocês tiveram na edição de 2020, em meio à pandemia, com a aposta em uma execução presencial?


Em 2020, oferecemos ao público 50 filmes franceses recentes, gratuitamente, online, durante quatro meses. Essa ação solidária obteve um imenso sucesso, atingindo quase 700.000 visualizações. A iniciativa permitiu não apenas conservar o contacto com o público como também conquistar novos espectadores. Mas, no fim do ano de 2020, quando os cinemas reabriram, resolvemos ajudá-los a retomar suas atividades com um conteúdo de qualidade e enfrentar o desafio de fazer o público voltar às salas. Infelizmente, a segunda onda da pandemia chegou e o público, apesar de os cinemas aplicarem estritamente as medidas sanitárias, ficou com receio. O festival não conseguiu que o público voltasse às salas, mas quis demonstrar sua solidariedade aos cinemas.

Qual foi o público total do Varilux no Brasil, desde sua fundação, e qual foi a edição mais disputada, com mais concentração de espectadores?


No total, em onze anos, foram mais de um milhão de espectadores (cerca de 1,1milhão). O festival não parou de crescer a cada ano e atingiu, no ano de 2019, 171.000 espectadores.

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