A estrela de Angelina Jolie volta a brilhar em Donostia: “Amo o meu país, mas já não o reconheço”

(Fotos: Divulgação)

Realizadora bissexta desde 2012, quando lançou In the Land of Blood and Honey, Angelina Jolie não protagoniza um blockbuster há algum tempo. A incursão que fez na Marvel com Eternals (2021), sob direção de Chloé Zhao, rendeu bem menos do que a Disney esperava. Nas franjas das narrativas de risco, brilhou em Maria Callas (2024), na pele da diva da ópera, mas sem alcançar a nomeação ao Óscar que muitos previam. Entre contratempos pessoais, como a dissolução do casamento com Brad Pitt, a atriz californiana de 50 anos não vive um fenómeno do porte de Malévola (2014), que arrecadou 760 milhões de dólares, há já uma década. San Sebastián, contudo, não se deixou influenciar por esses factos e parou para a ver passar, acompanhada do elenco do drama Couture, vindo de França. A assinatura autoral da cineasta Alice Winocour convenceu-a e, com o filme rodado, o festival mais prestigiado de Espanha quis exibi-lo em competição oficial, na corrida pela Concha de Ouro. A atuação de Jolie foi unanimemente elogiada. Em Donostia, a sua estrela voltou a brilhar.

Existe guerra e esperança na condição humana, e esses extremos fazem parte de todos nós, mas as conexões que criamos aproximam-nos”, disse Jolie ao C7nema, antes de criticar a falta de liberdade de expressão nos EUA a uma repórter espanhola: “Amo o meu país, mas já não o reconheço.”

A narrativa de Couture decorre durante a Semana da Moda de Paris, onde os caminhos de três mulheres se cruzam. Maxine (Angelina Jolie), uma cineasta americana, descobre que tem cancro da mama e envolve-se num inesperado relacionamento com o seu fotógrafo (Louis Garrel). Ana (Anyier Anei), estudante de Farmácia vinda de Nairóbi, desponta como a nova estrela das passarelas, apesar dos dilemas em casa. Já Angèle (Ella Rumpf, numa inquietante interpretação) é maquilhadora francesa, trabalhando nos bastidores dos desfiles enquanto tenta publicar um livro. Quando as suas trajetórias se encontram, a câmara de Alice revela a resiliência discreta que se esconde por trás dos holofotes e presta homenagem aos laços tácitos de solidariedade que estas mulheres — diferentes em profissão, cultura e origem — partilham.

Angelina é, à sua maneira, uma rebelde, e eu admiro a sua vulnerabilidade, essa capacidade de mostrar o que há por trás das mulheres. Não é um filme sobre cancro, é sobre mulheres. Não estamos sós, somos fortes juntas”, afirmou Alice na conferência de imprensa em San Sebastián.

Há resquícios formais de Prêt-à-Porter (1994), de Robert Altman, no filme, mas trabalhados de forma singular pela realizadora. “É a primeira vez que se vê a moda a partir da ótica de uma mulher africana”, comentou Anyier. “Quando se vem de um espaço como o Sudão do Sul, a vivência vai muito além do que a internet mostra.

O Festival de San Sebastián decorre até 27 de setembro.

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