«In the Land of Blood and Honey» (Na Terra do Sangue e do Mel) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Olhando em termos puramente humanistas, “Na Terra do Sangue e do Mel” é um filme “bom”, ou não fosse este o primeiro projeto atrás das câmaras da atriz Angelina Jolie (que aqui realiza, produz e assina o argumento), também conhecida por embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU). 

Ao retratar a história de um amor proibido em tempos da Guerra da Bósnia – mais concretamente, entre um soldado sérvio e uma prisioneira bosniana – Jolie consegue a proeza de espelhar com suficiente verosimilhança e sem grandes juízos de valor os dois lados de uma guerra, como tantas outras, causada por fanatismos e politiquices. 

Infelizmente, a Jolie realizadora ganha notoriamente à Jolie argumentista. Se o filme nos surpreende a tempos com umas colocações acertadas e uma direção de atores muito competente, por outro lado, adivinha-se o trajeto final muito cedo, a sensação de “deja vu” aumenta à medida que o filme decorre, e pior, às tantas ficamos com a impressão de que o filme não sabe que história há para contar em primeiro lugar e como principal foco dramático: se a história de amor ou a história de violência. A história de violência acaba como já sabemos; a de amor tem um término com o impacto de uma nota de rodapé. Ironicamente, este impacto de sabor acre é o que melhor poderá sintetizar todo o contexto humanitário e anti-humanitário do ser humano (o ser humano no auge do contraditório) perante um conflito social, algo que imaginamos (ou esperamos!) que Jolie tivesse na agenda como tópico principal, ao querer fazer este filme. Mas é uma tirada que vem demasiado tarde…e mesmo assim, já foi feita e refeita, de formas mais memoráveis. 

Sou capaz de pôr as mãos no fogo se encontrar nos próximos meses filme tão bem-intencionado. Mas, e como já dizia o outro senhor, “de boas intenções está o inferno cheio”… Ainda assim, “Na Terra do Sangue e do Mel” merecerá mais um purgatório lento que um inferno caloroso. Não sai da linha amarela o suficiente. 

 
 
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