Fest 2012: Entrevista a Irena Skoric (realizadora de «7 sex 7»)

(Fotos: Divulgação)

Um dos filmes mais provocantes do FEST 2012 é inquestionavelmente o croata «7 sex 7», uma antologia de sete contos eróticos realizados por Irena Skoric, uma jovem realizadora já seleccionada por duas vezes pelo festival nortenho.

O c7nema falou com Irena, que está presente em Espinho para apresentar em pessoa «7 sex 7» no FEST.

De onde veio esta ideia de fazer um filme erótico em formato de antologia de contos?

Há dois anos atrás comecei a escrever o meu livro, “Eros on Film – Two on the Table”, onde fala sobre o filme “The Postman Always Rings Twice” (O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes) de Bob Rafelson. Num dia de sol, a ideia de fazer um drama erótico surgiu na minha cabeça.

Já havias feito curtas-metragens com o tema do sexo. Agora “7 sex 7”. O que te atrai a fazer cinema erótico?

Há 3 anos atrás fiz a curta “March 9th” que esteve no FEST 2011 e que venceu vários prémios como o FEDEROA no Pula Film Festival, melhor curta no Euroshorts de Varsóvia entre outros.
Sempre quis experimentar fazer cinema em áreas pouco exploradas – e creio que o cinema erótico no feminino é uma delas.

Que realizadores mais te influenciaram?

Não consigo dizer apenas um ou dois. Prefiro cinema europeu, nomeadamente a Nouvelle Vague francesa.

Vais estar presente no FEST Espinho e vais apresentar no seu Pitching Forum o teu novo projeto. Que nos podes adiantar?

Vou apresentar o meu novo filme, chamado “My Dad”, que é uma comédia romântica de uma forma “transitória”. Num tempo de valores sociais trocados, onde criminosos são estrelas mediáticas e de eventos sociais, uma professora sonha um dia conhecer e apaixonar-se por um assassino profissional. O cinema croata é conhecido pelos temas sociais e da guerra, e creio que é importante fugir a esse território para cativar os jovens a ver cinema do meu país. Fugir ao estigma do pós-Guerra. O “My Dad” foi aprovado para financiamento pelo Croatian Audiovisual Center em 2011.

Como foi o processo de casting para o ‘7 sex 7’?

Bem, eu queria encontrar a equipa certa para um projeto deste género. Todos os atores são profissionais, muitos deles a trabalhar no teatro ou em telenovelas. Há muito improviso nestas cenas de sexo, a câmara tenta acompanhar os atores. É este movimento livre que permite criar o suspense erótico do filme: uma mistura de Dogma e “cinema verité” baseada na estrutura interna das histórias e dos relacionamentos.

Qual é o teu projeto de sonho?

É o “My Dad” que falei mas não como uma produção croata, mas sim como uma produção francesa. Filmado em Paris ou Avignon, e com um elenco francês.

Como tem sido as reações a ‘7 sex 7’?

Óptimas. A première nacional foi no Arena no Pula Film Festival, que me permitiu chegar aos 10.000 espectadores. As pessoas têm gostado do filme e vão descobrindo que as coisas não são tão cor-de-rosa como no trailer, e que não é um mero filme de sexo mas sim de relações.

O que conheces do FEST e esperas da estreia portuguesa no teu filme no festival de Espinho?

Já participei por duas vezes no FEST com as curtas ‘Farewell’ e ‘March 9th’. Gosto muito de Portugal e estou feliz por este ano vir visitar o festival e ver em primeira mão a reação das pessoas.

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