Fantasporto 2013: Entrevista a Kristina Buožytė, realizadora do impressionante «Vanishing Waves»

(Fotos: Divulgação)

É uma das «bombas» da edição 2013 do Fantasporto. «Vanishing Waves» vem assinado pela lituana Kristina Buožytė, uma cineasta que em 2008 surpreendeu tudo e todos com «The Collectress»,  um conto negro em torno de uma terapeuta da fala que após um evento extremo começa a estudar-se através de filmagens. Aqui, existe igualmente focos de tensão e a psique humana volta a ser motivo de estudo. Contudo, o amor e a forma como a nossa mente produz e cria esse sentimento é um dos maiores focos, num filme que provavelmente vai causar algum burburinho após a sua exibição. O c7nema teve a oportunidade de falar com Kristina Buožytė. Aqui ficam as suas palavras. 

É difícil definir o género do seu filme, especialmente porque a obra segue de certa maneira a origem do amor. Podemos defini-lo como um romance de ficção cientifica? Nós chamamos ao «Vanishing Waves» um romance de ficção cientifica, Creio ser a definição mas correta para ele. 

Como nasceu a ideia para este filme? Foi uma longa busca. Depois do meu primeiro filme, «The Collectress»,  eu queria fazer um filme sobre um casal que lidasse de forma aberta e profunda com os temas do desejo e do amor. Ao mesmo tempo queria fazer uma história de aventuras. Por isso, quando procurávamos uma forma de juntar todas estas peças numa, o Bruno [Samper] sugeriu que inseríssemos o tema num fundo de ficção cientifica e ter as aventuras dentro da mente de um ser humano. Eu adorei a ideia e começamos a trabalhar no guião. 

Existe uma cena num quarto escuro em que acontece uma orgia. Essa cena é bastante fascinante e lembra-me alguns trabalhos do Stanley Kubrick e do David Lynch. Podemos considera-los uma influência? Que cineastas a influenciam mais? Antes de escrever o guião vi filmes do Michelangelo Antonioni. Sou bastante fascinada com este realizador e a sua capacidade em criar o ambiente perfeito para os seus filmes. Mais tarde o Bruno referiu o seu respeito e admiração pelo Stanley Kubrick, isto pensando no tom visual (o uso do Monolito).Mas para além disto, eu tento evitar o ser influenciada em demasia por outros cineastas. É importante encontrar a nossa própria linguagem e a linguagem que o filme precisa.

Aparenta amar as transformações da mente e estudar a psique das suas personagens. Isso já se sentia em «The Collectress» e vemos de novo em «Vanishing Waves». O que lhe atrai nesse tema? Eu adoro o livro «O Pequeno Principe», de Antoine de Saint-Exupéry. É um livro que relata de forma bastante precisa como cada pessoa vive no seu próprio mundo a partir da sua própria perceção. E é muito interessante observar os efeitos quando a percepção muda. A mente humana é um dos maiores mistérios da humanidade, por isso é natural observa-la e investiga-la.

Muitos realizadores trabalham com os mesmos atores vezes sem conta. Este é o seu segundo filme com o Marius Jampolskis. Porque o escolheu para um dos papéis principais? 
Os filmes ditam os atores que preciso, a não ser que o papel tenha sido escrito especificamente para um ator. O Marius é um bom ator que tem um grande potencial para executar grandes trabalhos. Neste caso, ambas estas histórias exigiam um ator como ele.

Tenciona trabalhar com ele de novo? Depende da história que aí vier… 

Conhece o Fantasporto? Vai ao Festival? Nunca estive no Fantasporto, aliás, esta vai ser a minha primeira vez em Portugal. Eu e o Bruno vamos e estamos muito felizes com isso. A parte mais interessante é estar com o público e ver como eles aceitam o filme. Também já ouvi coisas maravilhosas do Porto, por isso estou ansiosa de passar algum tempo lá.

Tem algum projeto futuro?

Sim, tenho. Vou continuar a colaborar com o Bruno e atualmente estamos a trabalhar num novo guião.

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