TIFF 2011: «Afghan Luke» – o lado tragicómico e surreal da guerra (com entrevista ao realizador Mike Clattenburg)

(Fotos: Divulgação)

O nome de Mike Clattenburg é imediatamente associado a «Trailer Park Boys», uma série cómica em formato de mockumentary que conquistou uma legião de fãs e deu origem a um verdadeiro culto. Quase dez anos depois de iniciar esta série, que também gerou um filme (2009), Clattenburg aventurou-se em novos territórios, viajando em 2011 até ao Afeganistão com Nick Stahl e Stephen Lobo, e apresentando no Festival de Toronto (TIFF) a sua nova produção: «Afghan Luke».

No filme, seguimos Luke, um jornalista que investiga um artigo sobre soldados canadianos no Afeganistão acusados de mutilarem corpos. A sua peça é abafada, mas Luke insiste em descobrir a verdade e regressa ao Afeganistão com o seu colega Tom (Nicolas Wright).

Para piorar as coisas, o seu contacto e ajudante no local, Mateen (Stephen Lobo), trabalha agora para o seu némesis, complicando ainda mais a viagem, que rapidamente assume contornos surreais.

O C7nema teve a oportunidade de falar com Mike Clattenburg, que nos revelou mais detalhes desta nova aventura cinematográfica fora do universo «Trailer Park Boys» e confessou ser fã de Portugal, em especial da cidade de Évora.

Aqui ficam as suas palavras:


Depois do sucesso de culto de «Trailer Park Boys», regressa ao cinema com um drama surreal. Como nasceu a ideia para «Afghan Luke»?

A história surgiu através do produtor Barrie Dunn e do jornalista Patrick Graham. Há algum tempo que estavam a “cozinhar” uma narrativa sobre jornalistas em zonas de guerra. O Patrick fez a cobertura da guerra no Iraque e no Afeganistão e viveu sempre no limite. Assim, ele e o também jornalista Doug Bell escreveram o argumento, inspirado na amizade entre Patrick e o seu contacto no Afeganistão, bem como na sua experiência como correspondente de guerra.

Criaram um grupo de personagens cinematográficas. O guião tinha muita alma e humanidade, e apaixonei-me imediatamente por ele. Além disso, depois de dez anos, já queria fazer algo diferente de «Trailer Park Boys», por isso foi ótimo mergulhar num drama com um elenco completamente novo.


Foi realizador e produtor de «Afghan Luke». Como correu o casting e como é que o Nick Stahl se envolveu no projeto?

Co-produzi o filme com Barrie Dunn e Mike Volvi. O casting foi entusiasmante e desafiante. O papel de Mateen (o contacto de Luke no Afeganistão) era muito importante, pois o ator teria de falar pachto e inglês e ser tridimensional. Felizmente, encontrámos Stephen Lobo, em Vancouver. Ele aprendeu pachto foneticamente com a ajuda de Wafi Gran, tradutor, e conseguiu o papel.

Quanto a Nick Stahl, sempre fui fã dele e era a minha primeira escolha para o papel. Ele leu o guião, gostou e aceitou. Foi surreal conhecê-lo no primeiro dia de filmagens. Sou um grande apreciador do seu trabalho, especialmente em «Bully», de Larry Clark, e em «In the Bedroom», de Todd Field. Também foi sensacional em «Carnivàle», de Daniel Knauf. Sim, sou fã do Nick Stahl.


O filme teve a sua estreia em Xangai. Como foi a reação?

Infelizmente não pude ir, mas o Stephen Lobo esteve presente. Pelo que sei, as pessoas gostaram do filme. No final, muitas nem reconheceram o Lobo, o que demonstra o seu empenho e a sua transformação em Mateen. Ele desempenha um papel tão proeminente que, se o encontrasses depois de veres o filme, provavelmente não o reconhecerias. Já fez muita televisão no Canadá e é extremamente talentoso. Fiquei muito impressionado com todo o elenco: Ali Liebert, Pascale Hutton, Steve Cochrane, Vik Sahay, Nick Wright e Emmanuel Shirinian. Também há uma participação especial de Lewis Black e grandes interpretações secundárias, incluindo Parm Sour, Tim Webber, Jason Schombing, Raj Lal, Colin Cunningham, Pablo Silveira, Ron Lea e Torrance Coombs.


Achas que o público e a crítica vão gostar do filme? Isso preocupa-te?

É impossível não dar importância, claro. Mas tento não pensar demasiado nisso. Como se costuma dizer, tiro o stick de hóquei do ringue. Acho que percebes a analogia, já que em Portugal também há tradição no hóquei em patins. Se te preocupares demasiado com o que os outros pensam, perdes a tua própria visão.

Aproveito para dizer que estive em Portugal há algum tempo. O país é maravilhoso, as pessoas são muito acolhedoras e adorei especialmente uma pequena cidade chamada Évora.


Qual a importância do TIFF para ti e para o teu filme? Achas que o festival abrirá portas para o mercado?

O TIFF é, provavelmente, o festival de cinema mais importante do mundo, por isso é fundamental. Esta será a primeira exibição da obra no certame, e estou um pouco nervoso, mas sei que ajudará imenso.


Podemos esperar mais «Trailer Park Boys» no futuro?

Nunca digas nunca.


Segundo o IMDb, o teu próximo trabalho é «The Guys Who Move Furniture». Do que trata?

É sobre um grupo de tipos que ganha a vida a transportar mobílias. É uma comédia dramática com Will Sasso, Charlie Murphy, Victor Garber, Gabrielle Miller, Gabe Hogan e Johnny Harris.


Tens novos projetos em mente?

Sim, estou a escrever e a explorar as profundezas do drama e da loucura.

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