Entrevista a Marcos Efron, realizador de «E a Noite a Cair» (And Soon The Darkness)

(Fotos: Divulgação)

É americano, filho de pai argentino. Começou por trabalhar em Wall Street, mas a falta de verdadeira paixão por aquele universo levou-o a arriscar o cinema. Falamos de Marcos Efron, realizador de And Soon The Darkness (E a Noite a Cair).

Numa conversa com o c7nema, Efron fala um pouco mais deste remake atmosférico, onde a tensão tenta substituir o gore, tão comum no cinema atual.

Aqui ficam as suas palavras…

«No fim de contas é tudo sobre personagens e histórias. Se os dois elementos estiverem lá, então faço o filme.»


Como surgiu a ideia para o projeto e como te envolveste nele?

Os créditos da escolha de realizar o remake de And Soon The Darkness vão para os produtores. O meu agente sabia do projeto, contactou os produtores e mostrou-lhes o meu trabalho anterior. Tivemos algumas reuniões e eu expliquei a minha ideia para o filme. Eu queria manter a atmosfera do original. Felizmente, eles mostraram-se muito abertos a produzir uma obra com um realizador em estreia, e isso é raro.

O filme joga muito com essa atmosfera pesada e com as paisagens. Como correu a escolha do local das filmagens, especialmente a opção por aquela cidade abandonada bastante assustadora?

Eu sabia, pelos planos do projeto, que a Argentina e aquelas localizações teriam de ser também uma personagem do filme. Por causa disso procurei locais que transmitissem um tom de unicidade. Já o Lago Epecuén soube pelo meu pai, que cresceu em Buenos Aires e sabia que a cidade tinha sido inundada nos anos 80.

Como foi trabalhar com a Amber e com a Odette? E porque as achaste perfeitas para o papel?

Foi ótimo trabalhar com a Amber e a Odette. A química delas era tudo o que precisávamos.

A Amber está-se a tornar uma grande estrela de Hollywood, especialmente depois deste filme, de The Ward e de Drive Angry. Agora ela vai participar na série Playboy, da NBC. Achas que ela tem o que é preciso para se tornar uma estrela ainda maior?

Definitivamente! E não é apenas por ela ser linda de morrer. O que me impressionou mais foi o seu talento, a sua inteligência e a forma como se entrega completamente à sua personagem. Ela é uma jovem atriz que sabe bem o que quer para a sua carreira e para as personagens que interpreta. Não tenho dúvidas de que ela será gigantesca no mundo do cinema.

O teu pai nasceu e foi criado na Argentina. Como foi filmar junto das tuas origens? Qual foi a sensação?

Para ser honesto, e como não cresci na Argentina, senti-me sempre um estrangeiro. Para além disso, o meu espanhol não é nada bom…

Soube que trabalhaste em Wall Street há uns anos. O que te levou a tornares-te realizador?

Sim, é verdade. Eu até gostei de trabalhar em Wall Street, mas não tinha a paixão. Se calhar até tinha sido uma melhor opção continuar lá, se a minha preocupação principal fosse fazer dinheiro, mas a vida é demasiado curta para nos preocuparmos só com isso.

Consegues imaginar-te a realizar um filme na linha de Wall Street?

Claro. Eu ainda gosto do mundo das finanças e há muitas histórias interessantes para contar. No fim de contas, é tudo sobre personagens e histórias. Se os dois elementos estiverem lá, então faço o filme.

Tenho falado com alguns cineastas recentemente que me têm contado que é muito mais fácil realizar um projeto se for um remake, pois os produtores têm medo de ideias novas. Concordas com eles?

Existe alguma verdade nisso, pois fazer um filme e promovê-lo é dispendioso. Assim, se te aventurares num terreno familiar e que já deu frutos, a probabilidade de teres melhores resultados é maior.

E a seguir? Tens algum projeto em desenvolvimento de que possas falar?

Tenho alguns que estou a desenvolver, mas é demasiado cedo para falar deles.

E qual o teu projeto de sonho?

Adorava fazer um filme de guerra.

 
 
Link curto do artigo: https://c7nema.net/j55g

Últimas