Há quem diga que Rashaad Ernesto Green é o novo Spike Lee. Ele não nega as suas influências – afinal, o próprio Spike foi seu professor na Universidade de Nova Iorque, funcionando como mentor e amigo.
Presente em Sundance com Gun Hill Road, o cineasta do Bronx lida com inúmeros temas sensíveis na sua obra, que afirma ser inspirada num caso da sua família.
Gun Hill Road segue um ex-presidiário que, depois de regressar a casa três anos mais tarde, enfrenta grandes dificuldades na reintegração. O filho mudou muito e desafia sexualmente o que se espera de alguém criado no Bronx. No centro do conflito encontramos Angela, esposa e mãe, que entre o amor que sente pelos dois – marido e filho – terá de tomar decisões em relação à sua própria vida.
O c7nema teve a oportunidade de conversar com Rashaad Ernesto Green sobre o seu filme, a presença em Sundance e os seus projetos futuros.
“Spike Lee é uma inspiração absoluta, e já o é há muito tempo”
Como surgiu a ideia para Gun Hill Road?
A ideia surgiu a partir de alguém da minha própria família. Achei que era interessante abordar temáticas similares num nível universal.
O filme lida com problemas que requerem alguma sensibilidade (crime, adultério, homofobia). Como foi lidar com esses temas sem cair no melodrama ou no cliché?
Eu crio sempre primeiro as personagens e só depois a história ou a ideia. Se o público for capaz de se identificar com as personagens e com a sua humanidade, então mergulha na narrativa sem sequer se aperceber de que está a explorar ideias ou temas.
Como foi o processo de casting e como foi trabalhar com os atores?
O casting para Gun Hill Road foi muito envolvente, pois percebemos rapidamente que não íamos encontrar os atores que desejávamos de forma convencional. Felizmente, Nova Iorque foi a minha grande fonte para encontrar aqueles que realmente procurava.
Participaste como refém em Inside Man e viste Gun Hill Road ser escolhido em 2009 para a Spike Lee Fellowship. Spike Lee é uma inspiração para ti? Que filmes e cineastas mais te influenciam?
O Spike Lee é uma inspiração absoluta, e já o é há muito tempo. É meu professor na Universidade de Nova Iorque, meu mentor e amigo. Gosto de filmes e cineastas que não me entretenham apenas, mas que me façam pensar e sentir de forma diferente do que sentia antes.
Achas que Sundance pode fazer o filme “explodir” no mercado e levá-lo a outros festivais?
Acho que Sundance é uma ótima plataforma para um filme ser visto por uma plateia ansiosa. O que acontece depois disso está fora do meu controlo. Estou apenas feliz por ter a oportunidade de mostrar o meu trabalho onde tantos grandes cineastas já o mostraram.
Onde te vês daqui a dez anos? Tens outros projetos em mente?
Daqui a dez anos espero, sinceramente, continuar a fazer filmes. Tenho já algumas ideias em desenvolvimento, uma delas sobre adolescentes nova-iorquinos.

