Howard Chaykin: “a internet virou uma plataforma para os pouco informados e ignorantes”

O mito por trás de ‘Black Kiss’ e ‘American Flagg’ devassa a indústria da BD

(Fotos: Divulgação)

A caminho dos 70 anos, data que completa em 7 de outubro, Howard Victor Chaykin trata a comemoração do aniversário das suas cinco décadas de carreira nas BDs, marcada por êxitos comerciais (“O Sombra”, “BlackHawk”) e controvérsias (“Black Kiss”), com o mesmo desdém com que fala dos filmes e séries sobre vigilantes superpoderosos. “Hoje não estou a ler nenhuma graphic novel e não dou atenção para os super-heróis”, disse por e-mail ao C7nema o guionista e ilustrador que, nos anos 1990, escreveu as séries “The Flash” e “Viper”.

Ele hoje faz as capas da revista “Space Bandits” e dedica-se a desenhar e escrever “Hey Kids! Comics!”, BD ambientada em uma Nova York estilizada, cheia de racismo e sexismo. É lá, em solo nova-iorquino, que se descortina a saga de vaidade, traições e heróis de papel protagonizada pelos cartunistas Ted Whitman e Ray Clarke e pela roteirista Benita Heindel, ligados ao sucesso de uma personagem chamada Powerhouse.

Citações indiretas aos X-Men e a outros ícones superfortes povoam uma trama sobre sexo, rasteiras profissionais e lealdade perdida: é um balanço do lado B da cena editorial dos EUA. Tudo começa em 1967 e vai até os anos 2000. Em França, havia um projeto de adaptação de um de seus maiores sucessos, “American Flagg!”, em forma de série, sob os auspícios de Luc Besson. Mas nada avançou nessa empreitada. Ou quase nada, como Chaykin explica ao C7.

Quais são seus projetos de BDs para 2020/2021?

Estou a trabalhar nas edições de 6 a 11 de “Hey Kids! Comics”, uma releitura ficcional da indústria da banda desenhada. Eu também completei o terceiro e último volume na trilogia “TIME(SQUARED)”, que estará impresso assim que a tempestade atual diminuir.

A sua carreira na indústria dos comics começou em 1970. Seriam 50 anos de histórias em quadradinhos. Qual você acredita ser o papel das BDs no século XXI? Como a Internet mudou a realidade dos quadradinhos?

Os comics perderam o seu sentido como média, sendo relevantes apenas como matéria-prima intelectual para filmes e séries. Eu não tenho ideia de como a internet mudou a realidade dos quadradinhos, mas sei que ela virou uma plataforma para os pouco informados e os ignorantes expressarem opiniões sem qualquer base.

Tem planos para retomar a figura do agente Reuben Flagg? O que a BD “American Flagg” trouxe para sa ua carreira?

Eu não tenho planos além de uma reimpressão potencial. “AMERICAN FLAGG!” fez minha carreira, e colocou-me no caminho para as margens onde eu existo hoje.

Que importância a BD “Black Kiss”, uma das mais controversas da História, com uma protagonista trans, teve no seu trabalho?


Nos anos 1980, “Black Kiss” desnudou o moralismo e o terror sexual que caracterizavam uma grande parte do público americano de quadradinhos. Nem o público nem eu nos recuperámos.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/e24l

Últimas