Nascido em Beirute, Fares Hallencreutz Fares tem construído na Suécia, desde “Jalla! Jalla!” (2000), uma carreira internacional na atuação participando em filmes e séries que ganharam as atenções globais como “Chernobyl”, “Westworld” e “A Conspiração do Cairo”, que estreou recentemente nas nossas salas.

Comédias e filmes de ação comandaram, genericamente, o seu status local e global, aprofundando-se, com o avanço da idade, a construção das suas personagens, normalmente marcadas pelo passar dos anos, pelo estado das coisas e eventos trágicos.

Em “Um dia e meio”, filme estreia do ator na realização, ele também atua e a sua personagem resume-se a experiência e maturidade, sem uma aparente perda do humanismo. Ele é um polícia, o primeiro a chegar a uma clínica onde um homem, Artan (Alexej Manvelov), se barricou e mantém refém a sua esposa, Louise (Alma Pöysti) até que possa ver a filha, Cassandra.

Iniciando os procedimentos de “Um dia e meio”  como um filme policial com alma de thriller,  e baseando-se numa curta notícia que leu num jornal em 2008, sobre um homem armado, desesperado para encontrar a filha, Fares Fares coloca o trio de personagens principais (ele, Artan e Louise) sequencialmente em espaços encerrados, cercados por agentes da lei: primeiro a clínica e depois um carro que ele requisita para fazer o trânsito seguro do local para fazer cumprir as suas demandas. Ao fazer isso, cria automaticamente um sentimento de claustrofobia natural, densificada pela natureza dos atos e o registo de clausura – física e psicológica – dos protagonistas.

Fares Fares

Mas mais que sequências de tensão criadas por intervenção dos elementos externos ao trio, com exceção de uma reunião familiar, são as conversas e discussões a bordo do veículo automóvel que levam o espectador a saber mais e mais sobre o trio de personagens e o caminho delas até aquela situação. Do thriller passamos assim para o drama profundo, onde invariavelmente temas como racismo, xenofobia, saúde mental e a condição de migrante são abordados no meio de uma terapia de casal forçada por uma das partes.

O resultado final é um filme com alguma tensão, mas facilitista (nas desculpas e soluções) e previsível (no desenlace), daqueles que não ficam muito tempo na memória e se perdem no meio da pilha de conteúdos de um streamer como a Netflix.

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Jorge Pereira
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