
O género Rape & Revenge (violação e vingança) é dos mais antigos do terror contemporâneo, remontando aos anos 70 em filmes como The Last House on the Left (que introduziu Wes Craven ao mundo do cinema) e I Spit on Your Grave.
Savaged dá um upgrade sobrenatural ao registo com uma jovem surda, vítima de uma violação coletiva por um gangue de criminosos, a ficar apoderada pelo espírito de um guerreiro Apache e a lançar-se numa violentíssima vingança.
O filme de Michael S. Ojeda (na imagem acima ao centro) estreou no Screamfest Los Angeles e tem vindo a conseguir críticas muito positivas na imprensa dedicada ao terror.
No Fantasporto, Sábado 8, pelas 17h15.
Como surgiu a ideia de “Savaged”?
Esta ideia surgiu de uma falha no mercado. Normalmente eu tenho uma ideia, pois é algo que quero ver e que ainda não foi feita. Por isso comecei a misturar conceitos que me intrigavam, como a possessão espírita, vingança, misticismo nativo americano, uma personagem feminina forte e de certa maneira o projeto surgiu. Eu gosto de filmes negros, mas também gosto de filmes que me elevem a nível emocional. O filme já foi comparado com o I Spit on your Grave e The Crow (O Corvo). Eu gostei de O Corvo mas não estava a pensar nele quando escrevi o Savaged. Honestamente nunca vi o I Spit on Your Grave, mas sim, sei do que trata.
Este filme tem uma nova variante sobrenatural no género de filmes Violação & Vingança. Quais foram as suas influências?
Não fui influenciado por filmes específicos quando escrevi o Savaged, mas posso dizer algumas obras que me influenciaram a minha sensibilidade criativa ao longo dos anos, como O Exorcista, Alien, Amor à Queima-Roupa , Heat – Cidade sobre Pressão, Nikita – Dura de Matar, 28 dias depois, Gladiador. Os meus gostos estão em todos os géneros. Se há um filme que gosto, não tenho o desejo de o refilmar. Qual o sentido? As minhas audiências podem sempre esperar uma perspetiva refrescante dos filmes que escrevo.
O filme tem sido bem recebido pela crítica, principalmente pela especializada. Esperava isso.
Desejava isso, mas não tentei criar um filme slasher típico. Savaged é um filme de horror e ação à superfície, mas no fundo é muito mais que isso. Tem coração e tem uma história de amor no seu núcleo. Por isso, o meu desejo era atingir uma audiência mais vasta e os críticos notaram isso.

Este é o seu primeiro filme como realizador. Isso foi um desafio?
Na realidade não é o meu primeiro filme. Eu realizei um drama criminal em 2002 chamado Lana’s Rain. Era uma história de imigrantes sobre o lado negro do sonho americano. Foi distribuído nos EUA e no Canadá, mas em mais lado nenhum. Tentei aprender com os erros desse filme. Não tinha certeza do meu público alvo, mas desta vez tinha a noção da audiência e como iria atuar no mercado.
Tem um projeto de sonho?
É um épico de ação/horror sobre samurais passado no Japão Feudal. Chama-se Jun. Já o escrevi, mas não planeio mexer nele até fazer mais alguns filmes.
E quais têm sido os seus filmes de horror preferidos dos últimos anos?
Sendo honesto, os filmes de horror recentes têm me desiludido. Eu sou muito da velha guarda, gosto muito dos filmes dos anos 70 e 80, como Fantasma, O Exorcista, A Coisa e o Scanners.
Está já a trabalhar num novo projeto?
Em alguns. Um filme de ficção cientifica que mistura ação e horror e uma comédia de ação.
Conhece o Fantasporto e Portugal?
Conheço o Fantasporto e estou muito excitado e honrado por ter sido aceite no programa. Infelizmente não poderei me deslocar ao vosso país.

