Lucy in The Sky está disponível em VOD

Com um currículo cinematográfico invejável por interpretar mulheres sob extrema pressão psicológica, cujo expoente máximo foi alcançado com Cisne Negro, Natalie Portman entrega-se de corpo e alma à sua Lisa Nowak, uma astronauta da NASA caída em desgraça, mas a falta de foco, a palha narrativa, os clichés e uma sobrecarga estética e visual – que muitas vezes faz todo este Lucy in The Sky parecer um enorme videoclipe – afundam o filme na esfera da mais absoluta superficialidade.

A estreia de Noah Hawley (da série Fargo) nas longas-metragens sofre assim de uma verdadeira crise de identidade, não tão diferente à crise existencial atribuída a Nowak, gravitando tudo o que vemos por terrenos planos e sensacionalistas, ainda que mascarados de pragmatismo e psicanálise. Na verdade, depois de uma primeira parte terrivelmente monótona, tão mecânica como os procedimentos técnicos das missões espaciais decorados pela nossa protagonista, entramos numa segunda fase formatada para a espetacularidade do entretenimento tablóide. Nesse aspecto, Lucy in The Sky faz lembrar o terrivelmente redutor Seberg, também estreado recentemente, que pega numa figura ímpar e escorraça-a cinematograficamente pelo foco em fait divers.

O resultado final é um filme visualmente bonitinho que esconde a enorme banalidade do seu guião, onde não ajuda nada o desprezo genérico pelas personagens secundárias, com o marido de Nowak ou o amante a não serem mais que peões e figuras tão diminutas como o planeta Terra visto do espaço. E esse foco em Nowak até poderia resultar se Noah realmente tentasse desconstruir, desnudar as camadas e camadas de dúvidas e ambiguidades que ela apresenta, mas cedo o cineasta demonstra que prefere a forragem do entretenimento momentâneo como fim absoluto.

No fundo, temos aqui um Malick em jeito tablóide de estética MTV, incapaz de apresentar outra coisa além de uma visão equivocada na desconstrução de uma crise existencial. Lucy in the Sky é tudo cerejas e nada de bolo.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
lucy-in-the-sky-natalie-portman-we-have-a-problemUm Malick em jeito tablóide de estética MTV, incapaz de apresentar outra coisa além de uma visão equivocada na desconstrução de uma crise existencial.