Thriller energético que terá um remake americano

Numa das transições e jogos da montagem mais curiosos deste The Gangster, The Cop and The Devil passamos do cenário de um crime em plena rua para uma reunião de criminosos com o quadro Dante e Virgílio no inferno de William-Adolphe Bouguereau como uma espécie de separador.
Esta pintura (apenas uma de muitas que se encontram espalhadas por todo o filme), usa um episódio da Divina Comédia, que descreve a entrada de Virgílio e de Dante no oitavo círculo do inferno, onde assistem a uma luta entre duas almas condenadas (Capocchio, um herege alquimista, e Gianni Schicchi, personagem real do século XIII que tinha usurpado a identidade a um homem morto). É uma boa forma do cineasta Won-Tae Lee – do drama de época Man of Will – nos introduzir para a figura diabolizada de um seriall killer que aqui neste filme, numa das suas tentativas de assassinato, cruza-se com um barão do crime, conseguindo fazer o impensável: colocar a polícia e um bando de bandidos a trabalharem (mais ou menos) juntos no seu encalço.

Filme musculado de ação bombada a esteróides, onde não faltam sequências de luta e perseguições (de carro e a pé) aos magotes, The Gangster, The Cop and The Devil nunca deixa de lado o enriquecer das suas personagens ambíguas (Policia e Criminoso caminham tenuemente entre o bem e o mal), nunca esquecendo o humor como uma arma, e um sentimento de entretenimento de grande estilização visual (cinematografia carregada de cores berrantes, montagem de cortes rápidos, e planos muitas vezes de sequência) que oferece a toda a produção um ritmo e tensão imparáveis.
Ma Dong‑seok transpira carisma e é fácil perceber porque o filme terá um remake americano com o dedo de Sylvester Stallone e o sul-coreano a repetir o papel.
Em suma, eis mais uma variação curiosa e à coreana que no seu título e mente cresce de alianças improváveis com um objetivo em comum, tal como em The Good, The Bad and The Ugly (O Bom, o Mau e o Vilão) e no também coreano The Good, the Bad, the Weird (O Bom, o Mau e o Estranho).

Jorge Pereira

