«Angel Has Fallen» (Assalto ao Poder) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Gerard Butler volta a ter de salvar o presidente dos EUA

Terceiro filme de uma saga iniciada em 2012 por Antoine Fuqua (Assalto à Casa Branca) e continuada em 2016 por Babak Bajafi (Assalto a Londres), Assalto ao Poder é mais um exercício onde honra/dever/patriotismo se contrapõem ao capitalismo selvagem que chama eventuais empresas privadas a intervir diretamente em guerras lideradas pelos EUA. E dizemos “eventuais” pois o agora presidente dos EUA, Allan Trumbull (Morgan Freeman), é contra essa ideia, mas um ataque à sua vida põe em risco a decisão e abre caminho a uma guerra com a Rússia (quem mais?).

No meio disto tudo temos um Gerard Butler envelhecido (algures entre o Stallone de Rambo, o Bruce Willis de Die Hard e o Clint Eastwood de Na Linha Fogo), com as mazelas da profissão a sentirem-se no corpo, vícios em analgésicos, mas ainda assim a lutar pela adrenalina da sua posição, em oposição ao trabalho de secretária que a sua mulher (Piper Perabo) deseja que ele tenha.

Quando o líder dos americanos sofre um ataque, Mike Banning (Butler) é implicado como o grande suspeito (em parceria com a Rússia) e vai ter de andar a escapar em estilo O Fugitivo, enquanto simultaneamente tenta desvendar uma conspiração a la Alan J. Pakula.

Na verdade, não há nada de surpreendente por aqui, e o próprio realizador – com exceção de uma sequência com drones – parece entregar uma realização atabalhoada, confusa nas lutas homem a homem (cinematografia e montagem não ajudam), pouco inspirada na sua vertente de thriller e até sentimental. Já quem se salva lindamente neste mar de logorreia patriótica, traições, fugas e buscas estéreis é Nick Nolte, um velho sábio desaparecido entre as sombras que vai ajudar Butler, num encontro com alguma densidade mas despachado sem qualquer profundidade para além dos lugares comuns. No lado oposto, temos Tim Blake Nelson, entregue a uma personagem tão anorética que só um cheque graúdo o pode ter convencido a participar.

De resto, Butler cumpre, mas no meio tanto material já visto e revisto não consegue entregar mais que um filme superficial e lânguido.


Jorge Pereira 

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