«The Professor» (Adeus, Professor) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Não funciona de todo esta espécie de Beleza Americana implantada com um chip cancerígeno que levará o nosso professor terminal, Johnny Deep, a entrar por campos do Clube dos Poetas Mortos na universidade onde leciona entre charros, álcool e livros.

A história de um homem diagnosticado na fase 4 de um tumor pulmonar, que ao tomar consciência de que tem menos de seis meses de vida decide mudar a sua forma de estar e ser, “passando mais a viver que sobreviver”, é mais um exemplo de um certo cinema pseudo-libertário agarrado às disfunções familiares e artes – em especial à literatura – que pretende alcançar o “nirvana” de um Carpe Diem na sua mensagem final sem nunca o pronunciar concretamente.

Deep – agarrado a uma personagem que se quer entre o sério e alucinante – com álcool, substâncias psicotrópicas e sexo casual à mistura – passeia pelo grande ecrã a arrogância (des)encantadora de um sulfuroso bad boy carregado de sofrimento que não tem nada a perder – esquecendo-se pelo caminho (mas relembrando-se num final lamechas) dos que lhe são mais próximos, sejam os familiares ou os amigos que tinha (Danny Huston). Ao seu lado, nesta viagem a lado algum, temos uma troupe de estudantes (meros peões) profundamente desinteressantes e maltratados por um guião que apenas procura elevar o protagonista – que na verdade nunca chega a convencer, esquecendo-se até da poesia que os livros carregam em apresentações desastrosas dos pupilos.

Estamos assim perante um filme, na sua camuflagem niilista, que na verdade esconde um conservadorismo primário de lugares comuns e clichés emocionais quando o tempo do nosso doente se vai encerrando, derradeiramente resultando num trabalho inconsequente onde apenas alguns momentos de humor associados às personagens interpretadas por Huston e Ron Livingston geram momentos de real vivacidade a um enredo derivativo que não tem capacidade de explorar nada nem ninguém para além do óbvio e etéreo.


Jorge Pereira

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