«The Sun Is Also A Star» (O Sol Também é uma Estrela) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Neste filme romântico açucarado sobre a inevitabilidade de duas pessoas atraentes de se apaixonarem, apenas merecem menção ‎Nicola Yoon e ‎Jake Choi

A “missão de vida” do encontrar a “pessoa certa,” e do universo (destino) trabalhar para que isso aconteça encontra neste O Sol Também É uma Estrela um novo discípulo pronto para invadir os corações adolescentes e dos românticos incuráveis com mais um ensaio meloso inserido no zeitgeist político norte-americano: o da imigração.

A história de uma jovem jamaicana (‎Nicola Yoon) – prestes a ser deportada com a família – que se cruza com um rapaz de ascendência coreana (Jake Choi), e que se apaixonam no decurso de um único dia, é aqui tentativamente validada pelo Cosmos. E quem melhor que Carl Sagan para falar do Cosmos e entupir as entrelinhas deste romance de cordel que tenta ser poético ao jeito dos anos 90 e 2000 (em especial no pós invasão dos dramalhões coreanos), mas contemporâneo nos temas e personagens? Ninguém, e por isso mesmo as frases de Sagab invadem o grande ecrã desta adaptação assinada por Ry Russo-Young a partir do bestseller de Nicola Yoon, mais um exercício romântico-dependente que coloca os opostos a atraírem-se: pragmáticos Vs românticos; cerebrais vs emotivos; ciência vs fé. As coisas chegam ao ponto – na pobreza e limitações da escrita – de usar como argumento que o amor existe porque já muitos escreveram e fizeram músicas sobre ele, logo está provada a sua existência. Enfim, são frases soltas assim por todo um guião, redutoras, pseudo-poéticas-matafisicas, tudo alegadamente substanciado por uma ciência moldada para justificar o injustificável. É a vida horóscopo no seu melhor.

Russo-Young é experiente na concretização destas comédias românticas lamechas com muito pouco para oferecer para além de lugares comuns e sentimentos baratos à flor da pele. Daqueles sentimentos em que se dá um beijo aos 18 anos e se imagina logo o casamento (nesse preciso momento) com essa pessoa. Enfim, é dela o também glicosado Before I Fall, também ele adaptado de um livro (de Lauren Oliver) e também ele com (as) adolescentes em mente com as suas paixonetas em ebulição. Talvez ela devesse aprender com filmes que jogaram com as mesmas cartas – Serendipity- Feliz Acaso (EUA), Turn Left, Turn Right (China), The Lake House – A Casa do Lago (versão coreana) – mas que souberam fazê-lo com maior engenho, criatividade e imprevisibilidade, mesmo distribuído pela audiência doses indústriais de sacarina.


Jorge Pereira

Últimas