«Un Homme Pressé» (Segunda Vida) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Fabrice Luchini e Leïla Bekhti têm carisma, mas não conseguem elevar esta comédia de redenção para além do previsível

Fabrice Luchini é sempre extraordinário na sua presença e Leïla Bekhti passeia classe e humanismo, mas feitas bem as contas, no final deste Un Homme Pressé (Segunda Vida) temos a enésima história baseada em factos verídicos que é industrializada como crowd-pleaser à la Amigos Improváveis (Intouchables). Organicamente humanista, o filme é sufocado pela missão de dar uma “lição de vida” rotineira.

A história de Alain (Luchini), um workaholic arrogante que dirige uma empresa automóvel que após sucessivos AVCs se vê obrigado a lidar com Jeanne (Bekti), uma terapeuta da fala, aproximando-o consequentemente de todos os que estão à sua volta, é já terreno muito batido no cinema francês (para não dizer global), e este filme de Hervé Mimran, um cineasta já habituado ao a navegar pelas comédias (Tout ce qui brille; Nous York), é apenas e só mais uma história de redenção previsível – regada a banda-sonora melancólica – de alguém verdadeiramente que se comporta de forma altiva, mística e superior, mas cede em ser aquilo que o filme entende ser “uma boa pessoa”.

E como sabemos que se tornou uma boa pessoa? Porque ouve os outros, não se esquece do que tinha combinado com os familiares mais próximos e até já cumprimenta o seu motorista. Tudo muito básico, muito plano, esperado, até nos subenredos – tratados de forma tão pobre em diálogos desinspirados – dos relacionamentos entre Luchini e a filha (Rebecca Marder), e de Bekhti com um colega de trabalho (Igor Gotesman).

Bof!


Jorge Pereira 

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