Ao quarto filme, 22 anos depois do primeiro, Homens de Negro procura uma renovação, mas esta resume-se apenas a um facelift no elenco, já que narrativamente, em termos de história, tudo mantém-se formatado e esquemático como de costume.

Depois de Tommy Lee Jones e Will Smith liderarem os primeiros dois primeiros filmes e de adicionar Josh Brolin no terceiro, cabe a Chris Hemsworth e Tessa Thompson salvarem o mundo de um qualquer extraterrestre que quer dominar a galáxia ou além dela nesta quarta entrada da franquia. Com eles, e no elenco secundário, temos a impecável Emma Thompson a vender carisma e um Liam Neeson igual a si próprio a mostrar que “está vivo” depois do descalabro de popularidade.
Na verdade, o que temos por aqui neste MIB4 é mais do mesmo, uma história do fim do mundo reciclada com os mesmos tiques (de ação, humor e romance) repetidos vezes sem conta, mesmo que as mudanças pós #MeToo e #TimesUp atribuam agora as tarefas mais duras, protagonismo e a hipótese de sexualizar personagens a Tessa Thompson. Sim, o fim do sexismo cinematográfico não implicou o fim da objetificação sexual, esta apontou as armas a novos alvos, os homens, neste caso Chris Hemsworth. De resto, lá estão as piadas a questionar o próprio nome dos filmes (porque não Mulheres de Negro?), mas tudo o resto mantém-se. O fim do mundo eminente, dois agentes a tentarem travá-lo, uma paixoneta nas entrelinhas, e as habituais sequências de ação baseadas no culto do armamento (quanto maior a arma e mais voltagem, melhor). É Hollywood a ser Hollywood, a vender sempre as mesmas ideias (culto da aparência, consumismo, militarismo), mas agora dando as tarefas do seu entretenimento a diferentes peões.
Em Homens de Negro – Missão Internacional, Molly é uma pequena rapariga que uma noite encontra um pequeno extraterrestre, decidindo-o salvar, enquanto os seus pais veem as suas memórias apagadas pelos Homens de Negro. Anos mais tarde, M é já uma adulta, extremamente inteligente que procura uma posição na divisão secreta dos Homens de Negro. Ao seu jeito, ela chega até eles e rapidamente vê-se envolvida numa missão com Henry (Chris Hemsworth), onde a sobrevivência do planeta está em cima da mesa. A partir daqui, toda esta sequela comporta-se como um reboot, com pequenas e grandes criaturas prontas a alimentar o mercado de merchandise e a dupla de heróis a envolver-se em tropelias que os fazem passar por inúmeros locais do mundo, como Paris, Nápoles, Marraquexe ou Nova Iorque.
O problema é que as sequências de ação são banais, as criaturas e a narrativa (reciclada) não trazem nada de novo e F. Gary Gray não é Barry Sonnenfeld, perdendo-se o tom estapafúrdio série B característico que era verdadeiramente espetacular nos dois primeiros filmes. Em contraponto, surge-nos um cinema de piadas fáceis, ação convencional e de tensões amorosas vulgares que nem as diversas referências, ora cinematográficas (Thor, pois claro), ora músicais (Childish Gambino, Ariana Grande são aliens monitorizados), e outros pequenos detalhes, conseguem salvar.
Por tal, e apesar das mudanças nos atributos do “género” perfeitamente tipificadas, Homens de Negro – Missão Internacional é apenas e só mais do mesmo. Uma saga cansada em se repetir. Talvez a melhor coisa que a Sony tem a fazer – e já que vivemos no período de ouro do streaming – é levar o conceito para o pequeno ecrã. É que no grande, e sem nada de novo ou interessante para mostrar, MIB continuará a ser uma saga constantemente reiniciada que nunca irá a lado algum nem avança criativamente…

Jorge Pereira

