«The Forest» (A Floresta) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

A Floresta dos Suicídios, em Aokigahara,na base noroeste do monte Fuji, no Japão, parece ser a última moda e fonte de inspiração dos cineastas ocidentais para criar obras de horror, como este A Floresta, ou dramas, como Sea of Trees, de Gus Van Sant.

Infelizmente, e neste caso específico, a utilização de todos os mecanismos e artifícios do género do cinema de terror e a trivialização do misticismo do local tornam toda esta fita em apenas mais uma tentativa fracassada de relançar o J-Horror no mercado.

Sara (Natalie Dormer) é uma jovem que parte para o Japão para encontrar a sua irmã gémea (também Dormer) que desapareceu após visitar a dita floresta dos suicídios. À mística da floresta é acrescentada a ligação transcendental entre as gémeas e dois companheiros de viagem com interesses muito próprios, mas nada é aproveitado num filme onde essa fatídica jornada pelo “mar de árvores” apenas se converte num festival de medos internos não ultrapassados onde se devia: num psiquiatra ou psicólogo.

No todo, o filme oferece os habituais “cheap thrills” para assustar audiências, figuras antagónicas sobrenaturais pouco impactantes, frequentes no cinema nipónico, e apenas o final se revela minimamente interessado em fugir à regra da banalidade que por aqui ecoa.

Dormer, que tenta agora expandir ao cinema a sua notoriedade na TV em A Guerra dos Tronos, revela-se uma “scream queen” ineficaz entregue a um papel de cartão sem grande espaço de manobra ou dualidade. Mesmo assim, e mesmo limitada a essa figurinha anorética que o guião lhe atribui, a atriz podia perfeitamente deixar uma marca pessoal, e não apenas uma atuação em piloto automático nos dois papéis que desempenha. Tal como Jennifer Lawrence no frustrante A Casa do Fim da Rua, Dormer parece ter apenas usado o filme para ter uma marca de terror comercial no currículo.

Por tal, pela falta de interesse pelas personagens, pela acção e pela vulgarização quase didática das locações, A Floresta revela-se uma obra perfeitamente dispensável e apenas mais uma num género já repleto de fitas superiores e que vão além da mais pura superficialidade e susto medíocre.

O Melhor: O final surpreende, mas, a esse ponto, o filme já nos perdeu
O Pior: Os primeiros dois terços são do mais trivial e banal possível


Jorge Pereira

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