«Dallas Buyers Club» (O Clube de Dallas) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

A SIDA volta a ser destaque na tela, em mais uma história verídica feita para consumo imediato da Academia de Hollywood.

A história em si é mais curiosa que muitas: a de Ron Woodward, um “cowboy” do Texas (homofóbico, claro está) que nunca se preocupou com os excessos que cometia, até ao dia em que, já de aspeto cadavérico, tem um diagnóstico positivo no teste do HIV, e lhe é dado um mês para viver. Inicialmente tomando clandestinamente uma dose de AZT (na sua fase experimental – relembrar que estamos em meados dos anos 80), apercebe-se que esta medicação não é de todo a melhor, e decide seguir a sugestão do seu “dealer” e viajar até ao México, onde encontra um doutor fora de licença que lhe dá uma nova receita. Solução? Exportar para os Estados Unidos medicação sem aprovação do FDA, criando um “clube” de sócios (o “Dallas Buyers Club” do título), com uma quota mensal de 400 dólares, que dá ao titular acesso indiscriminado ao que precisar.

Tendo em conta o sumo aqui presente, é pena que a narrativa não tenha ido muito além do relato muito linear (e até moralista) de sexo, drogas, e mais drogas. Enquanto filme, está bem feitinho e come-se bem, mas daqui a uns anos não será certamente uma das obras que guardemos melhor na memória deste magnífico ano.

Ainda assim, e como vem sendo hábito nestes retratos verídicos, o filme torna-se um excelente veículo para os seus atores: sobretudo um cada vez mais surpreendente Matthew McConaughey no papel titular, e um nunca melhor Jared Leto (no papel de Rayon), certíssimos e justíssimos nomeados na próxima edição dos Oscars. Vale por eles o visionamento deste filme.

 

André Gonçalves

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