Filmes independentes de jovens delinquentes vindos da máquina Sundance são o pão nosso de cada ano [o filme baseia-se numa curta que esteve e foi premiada em Sundance no ano de 2009, apesar desta longa ter sido recusada para a competição do certame em 2013]. No entanto, há algo em Temporário 12 que nunca foi bem visto, ou apreendido desta maneira: o dia-a-dia de um centro temporário de jovens problemáticos, visto tanto pelo olhar dos próprios, como dos monitores que os acompanham.
O realizador Destin Cretton em boa hora decidiu alongar a sua curta homónima de 2008, e quando muitos criticismos face a primeiras obras são precisamente o dizer que o filme seria bem melhor em formato “curta”, aqui sentimos que podíamos passar uma vida com esta história.
Guiados maioritariamente por uma monitora de 20 e tantos, que se começa a mostrar tanto à deriva como os putos que controla (uma formidável revelação chamada Brie Larson), seguimos uns quantos dias desta rotina tão poucas vezes observada de forma tão profunda. O resultado final é intenso e arrebatador, mesmo se acharmos que é tudo convenientemente arrumado no final – mostrando só aí o seu “americanismo“. Mas quando estamos perante uma nova visão tão excitante quanto a que é apresentada aqui, tudo se perdoa.
O melhor: O testemunhar de um novo talento, a contar algo nunca antes visto – pelo menos não desta maneira.
O pior: A necessidade de ter tudo arrumado no final, e alguns momentos mais auto-conscientes.

André Gonçalves

