É necessário rever o conceito de “académico” como sendo um adjetivo necessariamente insultuoso. Digo isto porque Footnote, um dos 5 filmes nomeados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011, e Prémio de Melhor Argumento em Cannes, é um filme académico. Melhor: um filme académico sobre academismos e premiações.
Não se esperem contudo grandes resoluções nesta história de pai e filho, de conflitos geracionais, e de ressentimentos guardados devido a azares tão azarados que esperemos que sejam puramente ficionados.
Não estamos claramente em território Ron Howard (mais irmãos Coen, a citar alguma referência… ), e se há algo de mal com o filme é não ser muito mais do que tem para nos contar, e de engonhar ali entre o grande final do segundo ato, e a entrada para a recta final. Ainda assim, não é todos os dias que recebemos histórias como esta, contadas com subtileza q.b. e uma dose igual humanismo por Joseph Cedar, mesmo que um humanismo repleto de cinismo.
E só por isso vale a pena pegar nesta nota de rodapé perdida no tempo (de tal modo que não chegou e dificilmente chegará aos nossos cinemas).

André Gonçalves

