«Delivery Man» (Pai por Acaso) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Vince Vaughn é um ator que, ou se odeia, ou se adora. As suas expressões faciais (ou falta delas) e o seu prótotipo de homem que se acomodou, são constantes em todas as obras (desde Os Fura Casamentos, passando por Separados de Fresco, etc). No entanto, é um ator em que Hollywood pode confiar para determinado tipo de projetos. Pai por Acaso é um exemplo de que um elenco decente e uma história q.b. chegam para entreter, ainda que de forma algo insossa.

Numa readaptação da sua obra – Starbuck, de 2011 – Ken Scott (que realiza e escreve) tem a capacidade de transformar uma história inventiva e interessante, num filme qualitativamente inferior e preguiçoso. Quando se faz dois filmes, baseados no mesmo argumento e num espaço de tempo tão pequeno, é bom que se acrescente algo, o que infelizmente não acontece.

Em Pai por Acaso seguimos as pisadas de David Wosniack (Vaughn), um homem de meia idade, com ascendência Polaca, que ganha a vida a transportar carne, num negócio de família. Tudo começa por correr mal quando este se depara com uma divida de 80000 dólares. Infelizmente para ele, tudo piora quando recebe a notícia que tem mais de cinco centenas de filhos (!). Não há qualquer engano, cinco centenas de filhos (no original não chegavam aos 200). Explicação: Doou (muito) esperma, sob o pseudónimo de Starbuck, e devido à qualidade do espécime, engravidou, sem saber, essa quantidade toda de mulheres. Prestes a ser pai, em conjunto com Emma (Cobie Smulders), David vê-se confrontado com uma ação judicial posta pelos filhos, que o querem conhecer.

A premissa é o que o filme tem de melhor, depois é uma sucessão de desilusões. Vince Vaughn está igual a ele próprio e, neste filme, não consegue criar qualquer tipo de empatia. Cobie Smulders tem uma prestação meramente ornamental (como um candelabro bonito, num jantar de sexta à noite). Felizmente para o filme, Brett (Chris Pratt) – o advogado desajeitado e melhor amigo de David – consegue dar o toque de humor que a obra estava a gritar por ter.

Depois, somos conduzidos por uma série de cenas em que as personagens vão desfilando, sem que haja aprofundamento algum dos mini-enredos que vão surgindo. Justiça seja feita a participação de Britt Robertson, pequena, mas interessante (adjetivos que também se aplicam à atriz).

Para finalizar, somos presenteados com um final completamente óbvio e preguiçoso, que facilmente poderia ter tido um desfecho diferente, se não existisse a necessidade de dar um cunho de final feliz e bonitinho a este género de filmes.

O Melhor: A ideia original e Chris Pratt que tem as únicas tiradas de humor da obra.
O Pior: Final previsível, superficialidade de todos os personagens e modo piloto-automático de Vince Vaughn


Nuno Miguel Pereira

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