Nos dias que correm, achar uma galinha de ovos de ouro dá jeito. Isso, aliado à pouca imaginação e à submissão perante modas, faz com que o cinema de terror se ponha de 4 perante o proxeneta económico.
Assim, pega-se numa boa ideia que resultou – Insidious – e preparam-se mil sequelas, até que finalmente o mercado se consuma a si próprio e o crash se dê.
Enquanto isso não acontece, somos apresentados a Insidious 2, uma sequela que por si só poderia funcionar se o objetivo fosse acrescentar e não prolongar.
Desta forma, o enredo permanece centrado na família Lambert. Se no primeiro capítulo, Josh (Patrcik Wilson), foi buscar o seu filho Dalton (TY Simpkins) ao mundo dos espíritos, em Insidious 2 parte-se do pressuposto que, durante o seu regresso, um espírito maléfico encontrou o caminho de volta para o mundo físico. A partir daqui, temos espíritos de um lado para o outro, uma Rose Byrne – a mãe de família – com permanente cara de obstipação e uma Barbara Hershey (a avô) a tentar salvar a situação.
Para sermos justos, há que dizer que o filme não é mau, simplesmente prolonga um conceito. Se é questionável o caminho (fácil) que seguiu, repleto de pseudo-sustos e de mais espíritos (para juntar ao recente e do mesmo realizador, Conjuring), por outro lado, o que efetivamente chateia é o final, que dá toda a ideia de continuar a esgotar este conceito, com mais capítulos, que às tantas, nada terão que ver com o primeiro Insidious.
A realização de James Wan continua hábil, não fugindo muito aos seus últimos trabalhos. No entanto, usar os seus poderes para o mal (sequelas intermináveis) acaba por ser frustrante.
Ainda assim, Insidious 2, à semelhança do 1º, é altamente estilizado, com uma boa banda sonora e um argumento que entretém, arranjando ainda espaço para que não seja completamente previsível. Seria um filme q.b. se fosse descontextualizado do que o rodeia. Agora, falta ver o que virá daqui para a frente.
O melhor: TY Simpkins e uma pequena surpresa, mais para o final.
O pior: A surpresa (nem tanto assim) da existência da produção em massa de futuros Insidious, até que deixe de render.

Nuno Miguel Pereira

