Gavin Hood já nos mostrou ser capaz do melhor (Tsotsi) e do pior (X-Men Origens: Wolverine). Esta entrada a pés juntos, que foi o Wolverine, leva-nos a entrar de pé atrás neste Ender’s Game.
No entanto, a história é bastante apelativa desde o início. “In the moment when I truly understand my enemy, understand him well enough to defeat him, then in that very moment I also love him“; é com esta frase – retirada do livro homónimo de Orson Scott Card – que a obra se inicia.
Ender Wiggin (Asa Butterfield) é um jovem que, numa situação diferente, poderia ter uma vida normal. Porém, nesta ficção futurista, o mundo está na iminência de ser atacado por extraterrestres, necessitando por isso de um líder. Wiggin parece ser a melhor escolha, devido à sua inteligência e capacidade estratégica impar.
Na academia de talentos lá do sítio, que mais parece uma Hogwarts intergaláctica, Wiggins começa a treinar para ser o líder que salvará o mundo. Para isso, conta com a direção sapiente do Coronel Graff (Harrisson “Han Solo” Ford). Como Roma e Pavia não se fizeram num dia, para ser um bom líder, é preciso uma boa equipa de apoio. Entre eles, Ender até tem direito à sua Julieta, Petra (Hailee Steinfeld).
A completar este elenco temos ainda a – cada vez mais crescida – Abigail Breslin (ainda se lembram dela no Little Miss Sunshine?). Aqui, ela desempenha o papel da angelical Valentine, a irmã do protagonista.
O que começa por espantar e vai deslumbrando até ao final é o visual. Visualmente, esta obra é lindíssima, não sendo necessário recorrer a excessivos efeitos especiais. Todavia, este embelezamento visual pode servir para que, quem vê, se esqueça que acoplado a uma boa imagem, deve estar uma boa história.
Efetivamente, a história está lá, não fosse baseada no livro que foi. Agora, transpor um belo livro para uma bela obra, isso já requer outros talentos.
A verdade é que em certos momentos, Ender’s Game parecia Harry Potter, com direito a uma espécie de jogo Quidditch e tudo. Depois, evoluiu para um Star Wars, já com o chosen one Ender a ser um Luke Skywalker lá da zona, em conjunto com um Han Solo a sofrer de reumática e sem Chewbacca.
No fim, salva-se a reviravolta do guião que, apesar de semi-previsível, funciona pela componente de reflexão que impõe: A incompreensão está de braços dados com a ignorância, sendo mais fácil atacar do que compreender.
Dito isto, Ender’s Game não acrescenta nada de novo ao género, mas o que faz é satisfatório. Tem um elenco jovem e com talento, suportado por uma velha guarda já habituada a estas andanças. Visualmente é lindíssimo e a história, ainda que com um ou outro cliché do género, é entusiasmante.
O melhor: É sempre bom ver o Harrisson Ford neste género de papéis. Visualmente é muito bom.
O pior: A história só entusiasma na segunda metade da obra.

Nuno Miguel Pereira

