Pegando em pequenos filmes propagandistas, recentemente descobertos em coleções privadas sobre a cruzada imperialista e genocida de Il Duce nos anos 30 em terras africanas, nomeadamente na Abissínia (Etiópia), Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi criam um documentário onde o conceito de “erotismo colonial” é apresentado como uma força motriz do fascismo. Infelizmente, Pays Barbare é tão rico na sua componente histórica, como dispensável na sua vertente artística.
Entre uma edição visual nos limites do simplório, com recursos a filtros básicos e separadores preguiçosos [que funcionam como legendas históricas], e um acompanhamento sonoro que desliza entre a crueza do silêncio total, como nos seus primeiros 10 minutos, à leitura de uma carta de uma mulher ao companheiro envolvido na guerra, passando por alguns trechos eruditos apresentados de forma cantada, Pays Barbare é cinema militante que derradeiramente entra numa forçada querela em estabelecer uma ligação entre o passado e o presente, desviando para segundo plano aquilo que tem de maior valor: os pequenos filmes em si e o que mostram. Estes, de riqueza histórica incontestável, dão o que podem e a sua força na forma bruta era suficiente para mostrar o destrutivo e genocida legado fascista em África. Pena é que o que veio com eles, o dito trabalho artístico, seja tão banal e até pretensioso sob a capa do experimentalismo.
O Melhor: Os pequenos filmes em si
O Pior: Demasiado simplório em termos artísticos

Jorge Pereira

