Adaptar uma obra nem sempre é fácil. Adaptar uma obra que todas as pessoas conhecem (ainda que 99% não tenha lido), é ainda mais complicado. Fazer um reboot de uma história mundialmente reconhecida e com mil e uma versões, é uma missão muito ingrata.
Atores como Leonardo DiCaprio e, até mesmo, Jet Li, já fizeram de “Romeu“, cada um ao seu jeito. Até em filmes de animação (e.g. Gnomeu e Julieta), a história já surgiu. Ultimamente, tem-se optado por atualizá-la. Por outro lado, nesta nova recriação da obra de Shakespeare tentou-se transpor o erudito dos diálogos para o grande ecrã. Quando se fala em histórias de amor assolapadas e se tenta usar rimas de Shakespeare, o resultado normalmente é a falta de credibilidade.
Desta forma, Julian Fellowes (responsável pelo argumento), tentou passar Shakespeare para o cinema sem cair no ridículo. A sua missão acabou por ser bem sucedida, embora sem entusiasmar.
A interpretar este duo romântico temos Haillee Steinfield e Douglas Booth. Surpreendentemente, apesar da juventude, ambos conseguem boas interpretações, com diálogos dificílimos de tornar naturais. Porém, é Paul Giamatti (Frade Lourenço) quem melhor se sai, embora os seus diálogos parecem descolados dos outros personagens, oferecendo uma interpretação menos erudita, fugindo, por vezes, ao registo da obra.
Certo é que durante 1h40 somos invadidos por uma overdose de amor, que fará até o mais cínico, “sentir o cheiro” a rosas. Todo este exagero trágico Shakespeariano faz com que, na maioria das vezes, se façam filmes, só levemente parecidos com este grande clássico.
Nisto, Carlo Carlei (mais habituado a telefilmes) realiza uma obra com coragem, tentando trazer um pouco deste grande dramaturgo aos espectadores. Contudo, falha por ser uma adaptação erudita com tons pop para a geração MTV (como numa cena onde se avista o gangue Capulet a dirigir-se para uma rixa em slow motion, com cabelos esvoaçantes) e por não acrescentar nada a outras adaptações que já foram feitas.
Onde acaba por ganhar é na banda sonora. O ambiente criado por Abel Korzeniowski, é o que de melhor tem o filme, acompanhando a narrativa na perfeição.
Com isto, Romeu e Julieta pode não ser a mais brilhante de todas as adaptações, mas está longe de ser a pior.
O melhor: Paul Giamatti e a banda sonora
O pior: A excessiva teatralidade e o romantismo exacerbado, nem sempre resultam no grande ecrã. Acaba por ser mais uma adaptação, que se perderá no meio das outras.

Nuno Miguel Pereira

