«La Vierge, les Coptes et moi» por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Existem vários tipos de documentários. Documentários sobre filmes, personalidades, momentos históricos… Não obstante, há ainda tempo para um género mais egocêntrico. O documentário que se auto-documenta. Posto por outras palavras, um documentário dentro de um documentário .

Em La vierge, les coptes et moi é isso que sucede. Esta obra, de Namir Abdel Messeeh, é logo bem explicita desde o inicio. O produtor dele pergunta-lhe se pretende fazer um filme sobre si próprio, sobre os coptos (Egípcios cristãos), ou sobre a virgem Maria. Acrescenta que para ser um bom realizador, ele tem de se focar em apenas um tema. Então, Namir decide contrariar tudo e todos (incluindo sua mãe) e fazer um documentário sobre essas três coisas.

Para isso apoia-se nos seus amigos e família, com destaque particular para a sua mãe, sempre muito crítica e “chata” , sendo ela uma das que consegue gerar mais gargalhadas.

Aliás, este documentário tem a capacidade de abordar temas muito sérios, como o ódio entre os cristãos e os muçulmanos no Egipto, sempre com uma grande dose de sentido de humor.

Se na primeira parte o filme custa a “arrancar“, assim que Namir decide ir para o Egipto investigar o fenómeno das aparições da virgem, ganha um novo dinamismo.

No entanto, com tantos temas sérios na mão, o documentário dispersa-se e torna-se demasiado ligeiro, fugindo aos temas chave, em função de um tom mais cómico. É verdade que resulta na audiência, mas perdeu-se o foco. Aliás, os medos do produtor de Namir (mostrados na obra) concretizam-se. Todavia, Namir acaba por brincar com as fragilidades e despretensiosismo do filme, usando isso para o humor.

Se é certo que poderia ter ido mais longe, acabou por ser fiel ao caminho traçado, realizando um documentário muito vincado na sua vida, com algumas subtilezas que deixam transparecer preocupação com questões de intolerância religiosa. No final, o resultado é bastante satisfatório e original, dentro do género.

O melhor: A mãe de Nassir e a capacidade que a obra tem de gozar com ela própria.
O pior: Por vezes, transmite a ideia de ligeireza nos temas (sérios) que aborda.


Nuno Miguel Pereira

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