Os atores não são deuses, por isso envelhecem e as suas carreiras alteram-se. Nuns casos, o passar dos anos faz-lhes bem, outras vezes nem tanto. Uns envelhecem mal fisicamente (Val Kilmer), outros envelhecem mal fisicamente e artisticamente (Mickey Rourke, com a excepção de papeis autobiográficos, como em Wrestler) e outros pioram somente a nível artístico (John Cusack). Desde último, já não se avistam vestígios de Lloyd Dobler (do filme Não Digas Nada). Aquele carisma engraçado, virou assassino atormentado. É como se Dobler entrasse num colégio militar e tivesse sido enviado para a guerra do Golfo.
Em Códigos de Defesa vemos John Cusack (Emerson Kent) como agente das forças secretas da CIA com a ingrata missão de assassinar inimigos do estado. A forma como é avisado do alvo a abater difunde-se por sinais de rádio encriptados, um método já usado há muitos anos. O facto é que devido aos seus problemas de culpa, acaba por ser enviado para uma localização remota. O seu novo objetivo é proteger Katherine (Malin Akerman), uma tipica donzela em perigo, com a particularidade de ser ela a passar as mensagens em código (via rádio) que definem os próximos alvos da CIA. Infelizmente para eles e obvio para nós, o trabalho dele acaba por não ser assim tão parado.
Em resumo, temos uma espécie de Dobler em stress pós-traumático ao lado de uma princesa da Disney (com uma bomba nas mãos). Tudo isto no clima de Die Hard. Confusos? É normal. É uma das reações possíveis. Poderiam ter pegado no “pormenor” dos Estados Unidos dar ordens de morte através da rádio, mas Kasper Barfoed optou por falar dos remorsos da personagem interpretada por Cusack. Resultado? Temos um romance com tiros, com uma história previsível, mais do mesmo, e onde a química entre os protagonistas falha redondamente.
Enquanto filme padrão do género, talvez pudesse ter-se focado menos nos tormentos pessoais e mais na ação em si. É certo que tem ritmo, mas todo o (mediano) potencial que existia foi deitado ao rio. Seria uma boa escolha para um domingo à tarde procrastinador.
O melhor: Tem algum ritmo e os desempenhos são decentes.
O pior: História mal desenvolvida, falta de química entre os personagens. John Cusack consegue fazer melhor.

Nuno Miguel Pereira

