«Thanks for Sharing» (Uma boa dose de sexo) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Muitos são os filmes que abordam dependências e vícios. Desde Trainspotting (de Danny Boyle), passando por Half Nelson (de Ryan Fleck), a maioria com uma abordagem mais tradicional. Normalmente, fala-se de dependência de drogas e álcool, ou como diz Charlie Sheen, “pequeno-almoço”. No entanto, existem exceções. É o caso de Uma Boa Dose de Sexo (não é um filme porno). Aqui, fala-se de uma dependência sexual,  uma doença facilmente caricatural e poucas vezes levada a sério. Sendo assim, a missão deste filme seria caricaturar, ou então levar a temática a sério. Infelizmente, ficou a meio caminho das duas.

A história centra-se em três personagens dependentes de sexo. Em primeiro lugar Neil (Josh Gad), um médico com forte apetência por se esfregar em raparigas e dado a masturbação compulsiva. Depois temos Adam (Mark Ruffalo), alguém que está quase a completar os doze passos para a recuperação, mas que pelo seu temperamento parece sempre à beira da recaída. Por fim temos Mike (Tim Robbins), um homem de meia-idade, colecionador de dependências (sexo e álcool, principalmente). A juntar a este elenco, temos ainda Gwyneth Paltrow e Alecia “Pink” Moore. Aliás, o elenco começa por ser aquilo que não resulta no filme.

Temos uma obra bipartida. Por um lado, um tom cómico dado por Josh Gad, sempre com personagens desajeitados (como já tinha em Amor e outras drogas), tornando a dependência, no caso dele, algo cómica. A juntar a isto, temos uma Pink que devia pensar em focar-se nas canções, pois a parte de representação não correu muito bem.

Por outro lado, Mark Ruffalo e Tim Robbins dão um tom mais dramático. Assim, se por si só, ser simultaneamente comédia e drama não é problema, o que sucede neste filme é que estas duas vertentes entraram em conflito, criando dois fios narrativos incompatíveis. 

Mais para o fim, as coisas melhoram e percebe-se verdadeiramente o que a obra pretendia ser (drama), até porque como comédia, pouca piada teria. Para além disso, Stuart Blumberg conseguiu realizar este filme vendendo-o como comédia romântica, sem que haja grandes indícios de romantismo, ou comédia. Por isso, mais uma vez, fica-se confuso com o que se acabou de ver.

O Melhor: Mark Ruffalo
O pior: Pink e a falta de definição do filme


Nuno Miguel Pereira

Últimas