«Perfect Sense» (O Sentido do Amor) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

As distopias parecem estar para ficar. Desde pandemias de zombies (e.g. WWZ: Guerra Mundial), passando por epidemias repentinas (e.g. Contágio). No entanto, o que estes filmes têm de diferente, em comparação com Perfect Sense, é que o seu foco é a doença/invasão. Em contraste, nesta obra a epidemia é utilizada como um exercício filosófico sobre o que aconteceria à humanidade se fosse privada dos sentidos, um pouco à semelhança de Ensaio Sobre a Cegueira. Como é que os afetos, as relações, o mundo iria reagir com estas privações.

A história envolve uma estranha epidemia que vai bloqueando os sentidos (começa pelo paladar e depois o olfato), sendo que nada a parece travar.

No centro deste surto, destacam-se dois personagens. A cientista Susan (a bela Eva Green), que tenta descobrir como parar esta doença, e Michael (Ewan McGregor), um chef que se tenta adaptar às novas condicionantes (clientes sem paladar e olfato).

É neste clima caótico, que a relação destes dois irá nascer e é para eles que vai o maior destaque. Este par consegue demonstrar uma química crua, luxuria e paixão, elemento já recorrente em filmes de David Mackenzie.

Porém, o background da obra, não desenvolve, nem explica quem são os personagens. Por outro lado, apesar de não ser o foco central desta produção, a explicação para a doença é algo vaga.

No fundo, este filme tem um carácter filosófico forte e esquece-se de alguns detalhes da narrativa. Tinha ganho mais se tivesse desenvolvido melhor as personagens e a história circundante à epidemia.

O melhor: A ideia subjacente à obra. A dupla Ewan/Eva.
O pior: 90 minutos não chegam para potenciar um filme destes. Houve pouca atenção aos detalhes.


Nuno Miguel Pereira

Últimas