Numa altura em que bater no Ben “Batman” Affleck é fácil, qualquer projeto em que entre parece ser mais um motivo para gozar e achincalhar o pobre “menino”. A verdade, é que ele está progressivamente a esforçar-se para ser um “homenzinho“. Já faz papéis mais maduros e as suas prestações começam a melhorar.
No entanto, e ao contrário da Coca-Cola, Ben Affleck primeiro estranha-se, mas nunca se entranha completamente. Jogo de Risco é mais um exemplo de um projeto em que se esforça, mas as suas limitações mostram-se sempre tão óbvias, como o seu sotaque de Boston.
A história de Jogo de Risco centra-se na personagem de outro ator, que também não é consensual no meio do cinema: Justin Timberlake. Aqui, Justin interpreta Richie Frust, um jovem universitário que vai perder as suas poupanças num site de apostas online e (obviamente) decide sair da América, dar um pulo à Costa Rica e ir falar com Affleck, que interpreta Ivan Block, o oportunista dono do site de apostas.
Depois surge Gemma Arterton (Rebecca no filme), a sedutora nº 2 de Block, que é ao mesmo tempo cúmplice e ocasional amante. Gemma tem o condão de tirar o ar a todos os elementos do sexo masculino e feminino (independentemente da orientação sexual), tal é a beleza física, carisma (o sotaque) e os belos vestidos que desfila durante a obra. No meio disto tudo, difícil é ser completamente objetivo e avaliar a sua prestação, podendo-se dizer que nasceu para este tipo de papéis. Todavia, não nasceu para escolher os seus projetos, pois este é apenas mais um onde e demonstra muitas qualidades físicas, mas onde não tem papel para demonstrar se tem ou não talento.
Affleck está bem, mas não é completamente convincente. O melhor, sem qualquer dúvida, é mesmo Justin Timberlake, que tem a capacidade de segurar o filme, que se fosse uma casa, seria a casa de palha dos três porquinhos, tal é a fraqueza dos seus alicerces.
Aliás, o argumento é mesmo o ponto mais fraco da produção. Repleto de clichés, óbvio desde o início, todos os plot twists são antecipados e pouco interessantes. Um filme que vive muito do carisma (isso tem de sobra) dos três protagonistas.
Contudo, ocasionalmente consegue entreter e avança a uma velocidade agradável. Não sendo por isso um completo desperdício de tempo dar uma vista de olhos. Encaixa-se na categoria, “filmes de domingo à tarde“.
Em suma, entretém q.b., tem carisma, tem bom aspeto, mas o “sabor” já não é fresco. É mais um que cairá no esquecimento rapidamente. Só não irá acontecer tão rapidamente, porque há que “malhar” no novo “Batman” sempre que possível.
O melhor: A troika de atores, em especial Justin Timberlake
O pior: É superficial e óbvio

Nuno Miguel Pereira

