Filmes puramente de ação são recorrentes em Hollywood. A violência é uma coisa que vende e sempre venderá. A nossa necessidade voyeur de ver a vida dos outros, principalmente quando é cheia de acontecimentos explosivos, é algo que sempre fará render. No entanto, e atendendo à quantidade industrial de filmes do género, entreter sem aborrecer não é fácil.
A palavra “entreter” é o que melhor descreve 2 tiros e ainda bem, pois se tentasse ser muito mais do que isso, poderia correr muito mal.
A história centra-se em Bobby Trench (Denzel Washington), um agente da DEA, e Michael Stigman (Mark Wahlberg), um agente da marinha dos EUA. Bobby e Stigman estão ambos infiltrados num sindicato de droga, mas não se conhecem, achando que o outro também é criminoso. Quando falham redondamente nas suas missões, são renegados pelos seus superiores. Para piorar a situação, todos os querem ver atrás das grades. Felizmente, o trabalho como infiltrado no meio de bandidos, ofereceu-lhes algumas manhas, que antes não possuíam.
O bom do filme prende-se pelo ritmo, sempre elevado. Baltasar Kormákur realiza a ação com pedigree, ainda que conte com a delicadeza de um bulldog, Mark Wahlberg. Diga-se em abono da verdade que o rapaz até está bem, acima de tudo porque Mark Wahlberg faz de Mark Wahlberg, o que facilita.
Destaque para mais uma consistente interpretação de Denzel Washington, que se sente em casa neste tipo de papéis de “o herói com defeitos que é necessário”.
As sequências ritmadas, os twists bem calculados e o excelente timing transformou uma história banal em algo que entretém do início ao fim.
Sim, existem uns quantos clichés do género de ação. Porém, fãs puristas do Steven Seagal vão achar tudo isto muito difícil de perceber e demasiado intelectual. Citando o comentador desportivo Gabriel Alves, esta obra tem A força da técnica, aliada à técnica da força.
O melhor: A realização e a interpretação de Denzel Washington
O pior: Os clichés do género

Nuno Miguel Pereira

