«Goddess» (A Deusa) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Os musicais têm o condão de por vezes serem demasiado foleiros. Não é fácil construir algo moderno, que seja musical, em que as personagens cantem só quando faz sentido e que a história seja realmente encadeada. Grande parte parecem mais peças de teatro musicaç. Por isso, na grande tela tornam-se de certa maneira pirosos. Exceção feita quando se foge às regras do musical bonzinho e se criam obras como, por exemplo, Sweeney Todd, do Tim Burton, ou The rocky horror picture show, de Jim Sharman.

A Deusa tem muito pouco de original e muito de piroso. No entanto, muito do que se passa no filme, acontece no nosso dia a dia. Sabem aquelas situações em que estamos em casa a lavar a loiça e de repente começamos a cantar e a dançar por toda a casa, enquanto esperamos que o Ronan Keating chegue? Ou então quando estamos no parque e aparecem cinco mães vestidas de igual, com carrinhos de bebés e começam a cantar do meio do nada? Provavelmente isso é um dia normal para qualquer pessoa.

Para Elspeth Dickens (Laura Michelle Kelly), um dia normal engloba uma ida às compras, tratar dos dois filhos (que parecem ser a reencarnação do “Cujo“) e esperar que um ex-elemento de uma boys band dos anos 90 (neste caso o Ronan Keating a fazer de Biólogo Marinho) chegue a casa. Um dia, tudo muda quando começa a cantar para uma webcam e se torna um fenómeno da internet. No entanto, como diz o tio do Peter Parker, “com grande poderes, vêm grandes responsabilidades“, ela tornou-se numa dona de casa desesperada, com um alargado público alvo (o mesmo não se pode dizer deste filme).

Toda a narrativa gira em torno de Laura Michelle Kelly, que mais habituada às lides do teatro musical, tem uma interpretação carregada de overacting, que à medida que a história avança vai dando progressivamente maior vontade de esbofeteá-la. Porém, há que dizer que esta rapariga tem uma voz enorme, sempre que abre a boca para cantar, a coisa até vai correndo bem.

Ronan Keating tem um desempenho espantoso, como adereço. Pouco faz e, se calhar, ainda bem, porque nas vezes em que tem de falar mais de 5 minutos, são penosas. Não obstante, certamente toda a irlandesa na casa dos 30, vai trepar paredes sempre que ele aparecer.

Em relação à banda sonora, a verdade é que fica no ouvido. Excelentes vozes (nesse aspecto incluo o Sr. Keating), que talvez suscitem uma vontade inexplicável de vestir um avental e cantarolar para uma webcam.

O melhor: A voz de Laura Michelle Kelly.
O pior: Um filme piroso e desinteressante


Nuno Miguel Pereira

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