Criar um filme que seja uma comédia, mas que tenha num plano de fundo um clima depressivo e de personagens problemáticas, equivale a tentar conjugar os elementos do drama, com algumas gargalhadas. Não existindo fórmula mágica para fazer algo assim funcionar com facilidade, muitas vezes acabam por ser os personagens a segurar a história, quando esta é desinteressante.
Neste caso, acompanhamos a vida de Imogene (Kristen Wiig), uma escritora de peças de teatro frustrada e que já não consegue escrever. A sua vida desmorona-se quando o seu namorado de longa data a deixa. Nessa altura, decide simular uma tentativa de suicídio. O pior é que o seu talento para escrever bilhetes com notas suicidas é tão grande que, quando tenta explicar que só o fez para chamar a atenção, ninguém acredita. Nesse momento, Imogene é entregue aos cuidados da sua mãe Zelda (Annette Bening), que vive em New Jersey com o filho Ralph (Christopher Fitzgerald), irmão mais novo de Imogene, o namorado George/ The Bousche (Matt Dillon) e o hóspede Lee (Darren Crisis).
O filme começa a correr mal quando percebemos que os personagens são todos desligados uns dos outros. Cada um parece representar para o seu próprio filme. Temos um samurai/agente secreto/lunático Matt Dillon, um Darren “Glee” Crisis que tem tempo para cantar e “representar” e uma Kristen Wiig no seu registo deprimido, com piadas (que quase nunca resultam) à “Saturday Night Live”.
As únicas cenas com verdadeira piada são oferecidas por Christopher Fitzgerald, que desempenha o papel de um amante de insectos com fogachos de Asperger. De destacar também Annette Bening, que com a sua personagem viciada em jogo e algo estouvada, tem a prestação mais sólida e credível do filme.
O enredo é profundamente aborrecido, não há química entre as personagens e é mais do mesmo. Tenta ser um drama com muita piada e no final a única graça é quando Imogene diz a Lee que ele canta muito bem. O drama do filme é mesmo ter de o ouvir cantar. Para além disso, a história é algo superficial, nunca oferecendo armas para que o espectador possa sentir algo.
Shari Springer Berman e Robert Pulcini queriam criar um clima depressivo, como já o tinham feito no magnífico “Esplendor Americano”, só que em vez de Paul Giamatti, tinham um rapaz do Glee e uma Kristen Wiig fora de forma. Precisamente pelas mesmas razões, também os momentos de genuína gargalhada, escassearam.
Como fica entre a comédia e o drama e não consegue ser bem sucedido em nenhum, chamemos-lhe de “Dramédia” e, infelizmente, a lista de “Dramédias” hoje em dia é demasiado longa.
O melhor: Annette Bening e Christopher Fitzgerald
O pior: É aborrecido e insípido.

Nuno Miguel Pereira

