«Dark Horse» (Dark Horse – Diários de um falhado) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

São engraçadas as coisas que guardamos nas nossas gavetas e só nos lembramos que lá estão, quando ao fim de algum tempo lhes vamos tirar o pó. Dark Horse é mais um filme que estava na gaveta a ganhar pó, não por ser mau, mas pela sua natureza estranha e, por isso, de aderência menos imediata.

A história gira em torno de Abe (excelente interpretação de Jordan Gelber), um solteirão de 35 anos sem um rumo bem definido na vida, que trabalha com o seu pai (Christopher Walken) no ramo imobiliário e licita brinquedos no ebay (como hobby). No início do filme vemos Abe num casamento a tentar captar a atenção de Miranda (Selma Blair), uma mulher claramente muito acima do nível dele. Apesar do facto de ela não mostrar qualquer interesse, a verdade é que uma semana depois de a conhecer, Abe pede Miranda em casamento e (inesperadamente) ela aceita.

Não, isto não é uma comédia romântica, nem se quer é uma história de amor. Se a vida tomasse ácidos, este seria o destino. Um verdadeiro drama romântico sobre o efeito de LSD.

Todd Solondz realiza o filme procurando um certo caos e obrigando o espetador a construir os seus próprios personagens até que ponto de questionar se o que está a ver é sonho, ou realidade. As personagens não são propriamente empáticas, ou típicas. Abe, por exemplo, é um falhado por quem a gente não torce, ou se quer tem pena durante a maioria do filme.
Por fim, a banda sonora. Também ela a dar nas drogas duras, não por ser pesada, mas por ser completamente anticlimática. É como ver um gatinho a levar uma tareia, mas estar uma balada da Miley Cyrus (a de há 3 anos atrás) a tocar em Background. Por surpreendente que possa parecer, acaba por fazer sentido que seja assim, atendendo aos personagens aqui presentes.

Destaque também para a vontade enorme que dá em ir ao Toys R us no final do filme. Isto porque a loja e referências à mesma, são constantes.

Por tudo isto, Dark Horse é um filme estranho de ver, que não deixa ninguém indiferente. É algo irreverente, vindo no seguimento do estilo que Todd Solondz nos habituou (como no excelente “Happiness“). A procura da felicidade, mas num registo completamente negro. Definitivamente não é um feel good movie.

O melhor: As interpretações. A forma de Todd Solondz contar a história.
O pior: A história não é suficientemente apelativa para agarrar o espectador. O final é demasiado apressado.


Nuno Miguel Pereira

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