«Jobs» por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Biopics, como o nome indica, são filmes biográficos, centrados numa figura. Esta centralização leva muitas vezes a colocar num pedestal a personagem central da obra. Este género de histórias é normalmente padronizada, tentando colocar décadas num par de horas. “Jobs” encarna muito bem em toda a descrição anterior.

Fazer uma biografia de uma personalidade tão importante como Steve Jobs seria à partida uma missão complicada. Escolher Ashton Kutcher para desempenhar esse papel, poderia complicar ainda mais. No entanto, há que dar crédito pelo facto de o filme não glorificar a personagem que, para além de todos os feitos alcançados, tinha uma personalidade conflituosa e tempestuosa (alguns dizem mesmo que era uma besta). Assim sendo, o filme deu luz também a esse lado mais obscuro de Jobs, sendo este o ponto de maior destaque.

Outro ponto a favor do filme e, para muitos, inesperado, foi a prestação de Mr. Kutcher. Se é verdade que a sua fisionomia e os seus tiques dificultaram a credibilidade do personagem, por outro lado é possível verificar que houve um estudo afincado sobre Steve Jobs, tentando captar os seus maneirismos, a sua maneira de andar, os seus tiques de fala. O resultado foi uma atuação muito trabalhada, um pouco caricaturada, mas ainda assim, bastante decente.

Tudo o resto foi mais do mesmo. Uma direção de Joshua Michael Stern que usa todos os clichés possíveis na condução da obra, principalmente a música de fundo, usada para “intensificar” os momentos dramáticos, ou para “alegrar” os momentos mais bem-dispostos. Por vezes, parecia que estávamos perante um telefilme de domingo à noite.

No final, e após as duas horas de duração desta obra, fica-se com a sensação que o que acabamos de assistir, não ficará muito tempo na nossa memória.

O melhor: Ter mostrado o lado mais negro de Steve Jobs. 60% da atuação de Ashton Kutcher
O pior: A música tonta de fundo, os clichés típicos de telefilme biográfico


Nuno Miguel Pereira

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