«Pain & Gain» (Dá & Leva) por Nuno Miguel Pereira

(Fotos: Divulgação)

Quando se fala em Michael Bay pensa-se em efeitos especiais, grandes orçamentos, pequenos argumentos, misoginia e sexismo à mistura. O resultado é um deleite que aguça a criatividade dos críticos, sobre novas formas de “gozar” com o mal-amado Bay. Em Dá & Leva, não será completamente diferente, mas também não será assim tão mau.

A história (baseada em factos reais) conta a odisseia de 3 culturistas (interpetados por Dwayne Johnson, Anthony Mackie e Mark Wahlberg) que, por diferentes razões ( que variam deste a cocaína, a poder e a injeções nos genitais), querem mais dinheiro. Para isso, decidem raptar multimilionários, torturá-los e obriga-los a assinar papéis a ceder-lhes toda a sua fortuna. Obviamente que este plano tem muita coisa para correr mal.

Neste filme opta-se por uma vertente mais cómica, que inicialmente até fornece alguns momentos de gargalhada. A juntar aos risos, temos sempre uma boa dose de ação (mais comedida nos efeitos especiais) e a habitual sex symbol voluptuosa, utilizada como mero adereço (neste caso a bela Bar Paly). Felizmente, este filme tem um elenco que funciona muito bem. Os três protagonistas cumprem o que lhes é pedido. Destaque para o esforço de Wahlberg e de Johnson e para o talento de Anthony Mackie, a fazer o papel de um impotente (devido aos esteróides) com uma paixão assolapada por mulheres “gorduchas”. No entanto, as luzes centram-se todas para a excelente interpretação de Tony Shalhoub, a fazer o papel de um multimilionário execrável. Dá gosto vê-lo apanhar tareias, de tão bom que é a fazer de odiável. De ressalvar a presença, muito conseguida, de Ed Harris, que está excelente no papel de detetive, empenhado em descobrir toda a verdade.

O pior é mesmo o enredo. Se no início entretém, pelo ridículo das personagens e de algumas piadas, com o tempo o ritmo do filme abranda e torna-se monótono, algo lento e sem piada. No princípio parecia um filme do Guy Ritchie com o cérebro de Bay, a meio tentou transformar-se num drama. No final, ficamos com um filme decente, o que para os padrões do Bay, é excelente.

O melhor: Os atores, o ritmo da primeira parte e as piadas.
O pior: Quando a partir do meio do filme começamos a pensar “Ah pois, é um filme do Michael Bay“.


Nuno Miguel Pereira

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