Depois de caracóis a concorrer contra carros (em Turbo, da Dreamworks), eis que temos as corridas de “aviões” com uma história idêntica à de “carros”. Para quem ficou confuso, passo a explicar. Pega-se em algumas pessoas que criaram Carros, usa-se a mesma fórmula, muda-se o motor e acrescentam-se asas.
Nesta história, Dusty é um avião “agricultor” que tem como função cultivar os campos. No entanto, o seu objetivo é ser um avião de corrida e ganhar uma famosa competição aérea. Para além de todos as objeções ligadas à sua origem e às suas capacidades, Dusty tem também medo de alturas.
Temos portanto mais uma típica história do “underdog” a tentar alcançar os seus sonhos. Ao fim de 5 segundos, ou mesmo antes de entrar na sala, sabemos o que vai acontecer. Este acaba por ser o grande defeito do filme. Porém, ao contrário do que seria de esperar, o facto de entrar na sala com as expectativas baixas faz com que este filme acabe por ser uma pequena surpresa. Se é verdade que não acrescenta nada ao género, também parece nunca ter essa ambição e é certo que ninguém vai sair da sala com a sensação que viu a obra da sua vida.
Não obstante, Aviões possui personagens com algum carisma, consegue agrupar a magia da Disney e tem uma banda sonora muito boa. À medida que somos transportados para diferentes partes do globo, é possível ouvir diferentes géneros musicais, que vão desde o Hip-Hop mais americano, até às melodias típicas da India. Já visualmente não defrauda ninguém: percorremos os céus da América, da India, andamos às voltas dos Himalaias, numa experiência visual bastante conseguida.
Por fim temos as histórias secundárias, que acabam por ser a melhor parte do filme. O romance tórrido (não aconselhável a menores de 3 anos) que junta o avião Mexicano “El Chupacabra” e a Canadiana “Rochelle” é responsável pela maioria das gargalhadas, que serão transversais a todas as idades.
A duração do filme (90 min.) faz com que não haja tempo para bocejos, acabando com o final mais do que esperado, mas com gargalhadas inesperadas. Com isto, a Disney consegue aqui, não puxando pelos cordões à bolsa [e produzindo via Disney Toons], um bom filme.
Talvez por não ter um orçamento exorbitante, ainda se pensou em lançá-lo para o mercado de Home Video. A política megalómana por vezes utilizada pelos poderosos estúdios faz com que grandes orçamentos por vezes gerem mega fracassos [Marte Precisa de Mães] e filmes mais pequenos sejam, por vezes, mega desperdiçados. Aviões tinha algum potencial e com mais investimento (inteletual e de marketing) poderia resultar num grande sucesso.
O Melhor: As gargalhadas causadas pelas histórias secundárias. A banda sonora.
O Pior: A história é igual a tantas outras.

Nuno Miguel Pereira

